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PM IV
Magalhães protesta e não é atendido

O ex-prefeito Roberto Magalhães (PSDB) ficou indignado ao tomar conhecimento, pela imprensa, de que o projeto de autoria do Governo abria exceções para continuarem na ativa os coronéis cedidos pela PM para cargos administrativos – como, por exemplo, o coronel José Ramos, que foi ajudante de ordens do então governador Carlos Wilson (PTB) e hoje é assistente militar do prefeito João Paulo (PT) –, ao mesmo tempo que despachava para a reserva seus ex-auxiliares Adilson Gomes da Silva e Lucinaldo Pimentel.

Magalhães foi ao Palácio do Campo das Princesas para tentar falar pessoalmente com o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Como a chefe de gabinete, Lúcia Pontes, havia saído para o almoço, ele deixou recado com a secretária pedindo retorno da ligação, tendo feito o mesmo com a secretária do secretário Edgar Moury. Ao retornar a ligação para o ex-prefeito, Moury teve com ele uma conversa dura, uma vez que nem um e nem outro são do tipo de político que leva desaforo para casa.

“A conversa foi de fato dura, mas não houve ofensa pessoal”, contou o ex-prefeito a um auxiliar, porém sem oferecer detalhes sobre o conteúdo do telefonema. Ele ficou ainda mais aborrecido porque a chefe de gabinete Lúcia Pontes, ao retornar a sua ligação, perguntou-lhe se gostaria de falar com Jarbas dois dias depois, quando haveria espaço na agenda.

Sendo um ex-prefeito da Capital e ex-governador do Estado, Magalhães esperava um outro tipo de tratamento da assessoria de Jarbas Vasconcelos, como, por exemplo, abertura para ser recebido pelo governador, a qualquer hora do dia ou da noite, sem necessidade de marcar audiência, disse o ex-prefeito a um amigo.

DESCORTESIA – Ele queixou-se da “descortesia” ao secretário Sérgio Guerra (Desenvolvimento Urbano). Mas para deixar assinalada a sua discordância com os termos do projeto do governador, escreveu-lhe uma carta do próprio punho e mandou entregá-la em sua residência. Apenas três pessoas conhecem o conteúdo dessa carta: além dos dois, Sérgio Guerra, que recebeu cópia do próprio Jarbas.

A um deputado do PSDB, Roberto Magalhães deu esta explicação sobre a carta enviada ao governador: “Fiz o que eu achava ser do meu dever, que foi me posicionar em defesa dos dois coronéis que foram meus auxiliares na Prefeitura. Um deles (Lucinaldo), aliás, eu herdei de Jarbas”.

Há uma versão no PSDB – não confirmada pelo ex-prefeito – de que ele teria sido chamado por Jarbas para conversar sobre o projeto, e que, posteriormente, teria aceito as razões apresentadas pelo governador.

Indignado com a sua passagem para a reserva, já que a intervenção de Magalhães no processo não surtiu o efeito que era esperado, o coronel Lucinaldo Pimentel, que foi diretor da Csurb, desabafou: “É isso mesmo! Quando não se consegue mudar os homens, muda-se a lei”.

Curiosamente, o coronel Adilson Gomes foi o primeiro nome sondado por Jarbas para comandar a instituição logo após a vitória eleitoral em 1998. Ele chegou a participar de algumas reuniões com a equipe de segurança do governador eleito. No entanto, quando tomou conhecimento, através do jornalista Ivan Maurício, representante da MCI no Ceará, que o Governo iria criar a Secretaria de Defesa Social e unificar o comando das duas Polícias, declinou do convite.

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Jornal do Commercio
Recife - 25.11.2001
Domingo