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MICHAEL JACKSON
Invencibilidade colocada à prova

Michael Jackson conheceu o ápice ao lançar Thriller e iniciou a derrocada com Dangerous. Agora a gravadora Sony aposta suas fichas em Invincible

por JOSÉ TELES

Simultâneamente ao lançamento mundial de Invincible, o novo CD de Michael Jackson, a Sony oportunamente deu uma guaribada e mandou de volta às lojas quatro álbuns do cantor, Off The Wall (1979), Thriller (1982),Bad (1987) e Dangerous de 1991. São discos que contam a evolução de Michael Jackson, ou melhor, ascensão e queda da megaestrela da música pop, em quatro lições. Cada disco vem com vários minutos adicionais, sobras de estúdio, entrevistas, uma elaborada tática de merchandising para atrair até os milhões que já têm esses CDs em suas discotecas.

Pode-se questionar as idiossincrasias de Michael The Wacko (O Maluquete), porém jamais o talento, inegável e óbvio desde os primeiros sucessos com os irmãos, no Jackson 5. Enquanto no Brasil ainda se tem Michael Jackson como um produto infanto-juvenil, um maestro do porte de Quincy Jones entendeu logo que ele poderia fazer pela música negra americana, nos anos 80, o mesmo que Stevie Wonder nos anos 70 (por coincidência, Wonder também foi menino-prodígio).

PURPURINA – Em 1978, a música disco imperava nas paradas mundiais. Era a música negra purpurinada, direcionada exclusivamente às pistas, com alguns criadores reinando em meio a um bando de estrelas cadentes de um-sucesso-só. Off The Wall, o primeiro disco solo adulto de Michael Jackson, tornou o som disco obsoleto de uma dia para o outro. Don’t stop till you get enough servia às pistas, mas com uma sofisticação nos arranjos que a ‘discotheque’ jamais sonhou ter. Metais, sopros,solos sutis de guitarras, e nada de cordas sintetizadas. O relançamento traz uma demo de Don’t stop till You get enough, com Michael, Randy e Janet Jackson, gravada um ano antes de Off The Wall. Mesmo no rascunho, a canção esbanja suingue. Quincy Jones deu a lapidada necessária, para esse clássico da black music dos anos 80 (embora lançada em 1979).

Foi a partir de Off The Wall que Michael Jackson começou a experimentar com uma então nova mídia, o videoclipe. Don’t stop till you get enough mostrou as inúmeras possibilidades de vender-se música com ajuda de imagens. Isso o cantor elevaria ao nível de arte com os clipes produzidos com canções do álbum posterior, Thriller. Ele seria o primeiro astro negro a entrar na progamação da MTV. Não apenas entrar, mas imperar, com alguns vídeos que se tornaram padrão para o formato, a exemplo dos clipes de Billy Jean e Beat it.

Thriller é um marco da black music e da música pop mundial. Daqueles trabalho que chegam perto da perfeição. Michael Jackson finalmente conseguiu alcançar o patamar dos superastros Elvis e Beatles. Com exceção de duas canções (PYT -Pretty young girl e The lady in my life), todas as outras faixas de Thriller foram megasucessos internacionais. E mais, Thriller é até hoje o recordista em vendagens, desbancando a até então campeã trilha de Saturday Night Fever, ou Embalos de Sábados à Noite.

Com Thriller, Michael Jackson alcançou o ápice da carreira. Esse disco seria o parâmetro pelo qual se mediriam seus próximos lançamentos, e todos sairiam perdendo na comparação, tanto em qualidade quanto em vendagens. Bad é um bom disco, os arranjos de Quincy Jones têm a mesma qualidade dos que preparou para os álbuns anteriores. Porém Michael Jackson seria acossado pela síndrome de Thriller. O patamar ao qual chegou precisava ser superado. Não foi. Bad emplacou cinco primeiros lugares na Billboard, vendeu oito milhões de unidades, mas não se pode compará-lo com o imbatível Thriller (46 milhões de cópias vendidas até hoje).

Dangerous, de 1991, encontrou o rock em meio a virada de mesa grunge. O pop excessivamente burilado de Michael Jackson já não atraía tanto a atenção dos consumidores. Por essa época ele interessava mais aos tablóides do que às publicações especializadas em música. Nos dois primeiros anos da década, Michael Jackson conheceu seu inferno astral. Foi acusado de molestar menores, teve um casamento conturbado com Lisa Marie, filha de Elvis Presley, de quem se divorciou dois anos depois. Enquanto isso Dangerous tornou-se o Titanic da indústria fonográfica. A Sony Music torrou US$ 30 milhões num álbum para vê-lo afundar lentamente nas paradas.

Michael Jackson só voltaria a lançar outro disco quatro anos mais tarde, o ainda menos bem sucedido, History. Seu novo disco, embora tenha alcançado os primeiros lugares nos EUA, não promete ser um novo recordista para o garoto prodígio de Gary, Indiana, com 43 anos, e inacreditáveis quase quatro décadas de palco e sucesso.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.11.2001
Segunda-feira