LG_jc.gif (3670 bytes)

MICHAEL JACKSON II
Falta um pouco de apelo sexual ao novo disco

por SCHNEIDER CARPEGGIANI

Michael Jackson é cria da mais famosa linha de montagem de sucessos pop da história, a Motown. Nos anos 60, a gravadora trouxe para uma platéia branca e protestante artistas negros desfiando odes sexuais disfarçadas sobre singelas histórias de corações partidos. Exagero? Então, por que você acha que a My girl daquele hit dos Temptations era tão inesquecível a ponto de merecer a dedicatória de uma canção ou por que Diana Ross cantava revirando os olhinhos daquela forma?

O próprio Michael também soube ser sacana. Um dos seus maiores sucessos leva o nome de Don’t stop til you get enough (Não pare até você conseguir o bastante), e foi tirado do seu álbum clássico da era disco, Off The Wall – lançado no auge do hedonismo da década de 70. Agora em 2001, o Michael Jackson que chega embalado no rótulo Invincible do novo disco não parece que leva ninguém para cama ou lugares semelhantes há muito tempo.

E pior: ele não tem mais cor, idade ou sexo - no sentido de questão de gênero, nesse caso. Ficou congelado em algum lugar do passado, longe da realidade. É essa falta de apetite sexual que ele não tem nem consegue despertar que fez o primeiro single de Invincible, You rock my world, soar tão fake.

Em sua letra, You rock my world exala uma dependência carnal cheia de fogo, ressaltada por um arranjo sofisticado, que lembra o ‘Jacko’ da virada 70/80 (o Michael Jackson de fato). Ficaria perfeita na voz de um smooth operator como Maxwell, mas soa artificial na voz de robocop que ‘Jacko’ se tornou.

Se You rock my world empaca pela falta de mojo do seu intérprete, o resto de Invincible nem tem essa desculpa para dar. O que falta mesmo nele é o pop, do qual o cantor ainda diz ser rei. A plástica que a ‘centena’ de compositores realizaram no repetório do disco não o salva de sua apatia e tensão de plástico. O problema é que Michael tentou comprar o som do atual R&B americano, mas se esqueceu de que ele ficou famoso não por copiar tendências, mas sim por lancá-las.

O problema central da falta de mojo do CD ficou ainda mais evidente semana passada. A malhada Britney Spears tirou Invincible do primeiro lugar da Billboard, com seu terceiro disco, o homônimo Britney. Trabalho esse ancorado por um clipe no qual a rainha adolescente se entrega a uma divertida orgia interracial.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 26.11.2001
Segunda-feira