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MÚSICA O PercPan agitou o Marco Zero
por JOSÉ TELES
Os sons eletrônicos do XRS Land Project, do DJ paulista Xerxes de Oliveira, encerraram, na madrugada de ontem, o 8º PercPan, a primeira edição do festival em Pernambuco. Na sexta-feira Rita Lee não decepcionou nem surpreendeu, como havia prometido. Ela fechou a segunda noite fazendo o que sabe: cantar música pop. Começou com I Want to hold your hand, dos Beatles e repassou vários de seus hits, Alô Marciano, Lança perfume.
Foi uma noite eclética, iniciada com o Mestre Salustiano, que mostrou Cavalo Marinho, um pouco de maracatu rural e ensaiou algum frevo na sua rabeca endiabrada. Sua apresentação foi abrilhantada pela chegada do Maracatu Cambinda Dourada de Nazaré da Mata, que fez evoluções pelo meio da platéia de cerca de vinte mil pessoas.
Uma atração aguardada, o senegalês Soriba Kouyaté. O virtuoso do kora (instrumento de 21 cordas, com uma cabaça como bojo, e de som semelhante à harpa), excedeu-se em mostrar seus dons. Foi de standards americanos até enveredar por um inusitado Jingle Bell em pleno novembro. Foi preciso Gil, delicadamente, entrar no palco e redirecioná-lo para a música mandigo.
Quem não precisou ser admoestado foi o Tamboro Mutanta, o grupo formado por sete belas moças argentinas. Elas seguiram à risca o que pedia o festival. Esmeraram-se nos tambores, com ritmos variados, predominando uma rumba em compasso mais lento e até cantaram folclore mineiro.
Gilberto Gil, acompanhado pelo pandeiro de Suzano, mais uma vez deu um show à parte. Cantou várias de suas canções, algumas que ele raramente apresenta em público, feito Dora (Dorival Caymmi), e Frevo Rasgado, dele próprio. Rita Lee, música do projeto os Doces Bárbaros, foi a deixa para que a titia do rock nacional adentrasse o palco, com sua Talebanda, montada especialmente para o festival.
O sábado levou ao Marco Zero um público ligeiramente menor do que na noite anterior. O Raízes Percussivas abriu os shows, com uma bateria azeitada de tambores, mostrando que o Mestre Lua é um grande maestro da percussão. O grupo de meninos carentes da periferia de Olinda agradou em cheio. Antúlio Madureira, à maneira de Tom Zé, entrou de capacete de construção civil e passou a tirar sons em um maçarico. Tocou o Hino Nacional em um serrote,e com seu marimbau mostrou a linha evolutiva do movimento armorial. Foi de composições próprias a cirandas e frevos de Capiba.Em seguida, tome jazz. Marcos Suzano e banda mostraram o show Flash (nome do seu mais recente CD). Foi um bom show, mas um tanto demorado. Havia ainda duas atrações esperando. Entre um intervalo e outro, Gilberto Gil tirou do fundo do baú Evocação n°1, de Nelson Ferreira, e por duas vezes o antológico Frevo Rasgado. Uma boa introdução para Titi Robin, outro virtuoso do violão flamenco e sua banda. Por fim, o XRS Land Project entrou para encerrar o PercPan em clima de rave.
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