por JÚLIO CAVANI
Ocupando nove salas simultaneamente, Harry Potter não deixou espaço para outras estréias comerciais. Além do filme-evento infanto-juvenil, a única novidade na cidade é o clássico Meu Tio, que ganha sessão única, domingo, no Cinema da Fundação. Quem não está a fim de feitiçaria, portanto, deve optar por essa comédia francesa ou aproveitar os títulos que já estavam em cartaz.
Ninguém precisa de pressa para ver Harry Potter e a Pedra Filosofal. Seu recorde de bilheteria na estréia norte-americana já indica que ele deve ficar em cartaz durante meses. Baseada no popular livro de J.K. Rowling, a trama mostra um menino com poderes mágicos que é levado a uma escola de feitiçaria localizada num mundo encantado. Lá, ele conhece outros bruxinhos e se mete em enrascadas por ser herdeiro de poderes especiais. O filme resgata elementos fantásticos clássicos, como sagitários, duendes, vassouras voadoras, unicórnios e ogros. Tem tudo para marcar uma geração de espectadores.
Meu Tio é uma das comédias do diretor Jacques Tati que o trazem também como intérprete do senhor Hullot. O atrapalhado personagem vive em uma casa antiga e bagunçada e se vê obrigado a se adaptar à arrojada casa de seu irmão, na qual tem que cuidar de seu sobrinho. As piadas, inspiradas em Chaplin e Buster Keaton, se concentram na relação entre Hulot e a automação dos eletrodomésticos da casa dos parentes. De forma indireta, as gagues do filme ridicularizam a vida na sociedade moderna, apegada ao valor material dos objetos de consumo. Sucesso de crítica, o filme, de 1958, venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Cannes.
Na programação normal da Fundação, permanece em cartaz o badalado Hedwig – Rock, Amor e Traição, que foi a sensação das mostras internacionais de São Paulo e do Rio. Dirigido e estrelado por John Cameron Mitchel, o filme une diversas linguagens e referências pop e conta a saga de um transexual alemão que faz sucesso como cantor e compositor, apresentando em bares suas poéticas, sensíveis e, por vezes, escandalosas composições.
Não menos visual e musicalmente delirante é Moulin Rouge, de Baz Luhman, que permanece sendo exibido no Cinema do Parque. Estrelado por Nicole Kidman e Ewan Mc Gregor, a história mostra o romance entre um poeta e uma dançarina de um famoso cabaré parisiense no início do século. Os diálogos utilizam grandes sucessos da recente música pop, com rearranjos de canções de Madonna, Beatles, Nirvana, Elton John e muitos outros.