por CAROL ALMEIDA
Sabe a foto que você viu na capa deste JC Em Cartaz de um homem mexendo em seu caldeirão com uma colher de pau? Bem, esse não é exatamente o protótipo do que a maioria das pessoas toma como bruxaria. Pois se você esperava uma bruxa nariguda segurando um cabo de vassoura, é bom saber que essa está distante hoje de ser a imagem representativa daqueles que praticam a magia. E neste fim de semana, o primeiro do filme Harry Potter nos cinemas, aquele em que um garoto sai aprontando com o que – de uma maneira intuitiva – se pode chamar de magia, é bem natural que a imagem imediata de uma bruxa seja a da velha má da maçã. No entanto, mal sabem os pequenos leitores de Harry Potter e de outras fábulas que bruxos existem, sim, porém estão longe daquilo que se vê e bem mais próximos do que se esconde.
Durante séculos de estudos, a bruxaria conseguiu criar uma tradição e uma sabedoria tão extensa quanto a história e princípios de qualquer religião. Porém, a eficácia de seus feitiços nunca foi capaz de desfazer o poder de seu maior inimigo: o preconceito. A magia hoje é de uma maneira fundamental vista sob duas perspectivas: ou como uma ornamentação, servindo de tema para motivos decorativos; ou como algo maléfico, perverso até. Em ambos os casos, a bruxaria é quase sempre esteriotipada.
Nesta página, você poderá encontrar alguns dos objetos mais destacados da bruxaria moderna. Alguns deles, como as velas, podem ser usados independentemente de ser, ou não ser, um bruxo ou curioso da magia. Alguns, como o athame e a taça, por exemplo, são recomendados para as pessoas que já sabem manusear esses elementos. Em sua maioria, podem ser achados em casas esotéricas e lojas de umbanda.
No Recife, existe mais de uma dezena de covens (grupos de bruxos) que se reúnem periodicamente, alguns para estudar a história da magia, outros para fazer feitiços. Poucos são sérios, muitos são apenas resultado de uma ‘moda’ que começou quando o cinema e a televisão passaram a mostrar as bruxas de uma maneira mais simpática: jovens, bonitas e independentes. “Magia não tem cor, tem intenção”, diz Adriana (nome fictício), 25, em referência ao que muita gente associa como magia branca ou magia negra. A jovem bruxa, aliás, não quis se identificar pois, provavelmente, não a iriam levar a sério no trabalho. Segundo ela, o preconceito ainda é muito grande e poucas são as pessoas que acreditam.
Boa parte desses bruxos estuda e se guia na tradição hoje mais popular da bruxaria moderna: a Wicca. Resumidamente, sua filosofia é baseada na celebração da natureza (e harmonia com ela) e no culto aos seus dois maiores deuses: a deusa Mãe e o deus Conífero, que em absolutamente nada tem a ver com a imagem do diabo que os cristãos pregaram na época da Inquisição. A história da Wicca, assim como das demais tradições da bruxaria, é muito grande. Seria impossível sequer citar seus princípios de uma só vez. Por isso, recomenda-se aos interessados em aprender um pouco mais sobre o assunto, que procurem conhecer os bruxos via Internet (canais do mIRC são eficientes nisso). No Recife, a opção é o canal #bruxaria, hospedado pelo servidor Brasnet (entrar em contato com o nick angeldark). Procurar ‘escolas’ de bruxaria não é algo recomendado por quem estuda o assunto. “Na verdade, o ideal é que as pessoas procurem bons livros para ler. Mas nada de guias, o melhor mesmo são as publicações especializadas”, sugere Humberto, 22, nome fictício de outro bruxo que preferiu também não ser identificado.