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SPORT (1999)
Diretores discordam de Bivar e começa a briga

O ano de 99 não poderia ter começado melhor. Afinal, o Sport vinha de um tricampeonato estadual, conquistado de maneira invicta, e de um honroso sétimo lugar no Brasileiro. Para a torcida, o tetra – conquista ainda ausente na galeria rubro-negra – eram favas contadas. Mal sabia ela que naquele ano começava a se desenhar uma catástrofe.

A primeira faísca foi a contratação do substituto de Mauro Fernandes. Um dos nomes na lista dos cartolas era Júlio César Leal. O departamento de futebol, então comandado por José Antônio Alves de Melo, contando com Fred Domingos, Pedro Lacerda, Zeca Lacerda e Antônio Guerra, apenas começara as conversas com o técnico, quando no dia 9 de dezembro de 98, o presidente Luciano Bivar anunciou o mome de Júlio, oficialmente.

Foi aí que as relações entre o presidente e os diretores começaram a balançar. Cogitou-se até do afastamento de todos os componentes do departamento, mas o bom trabalho de Leal conquistou a todos. “O senso profissional e a competência dele acalmaram as coisas”, lembra o ex-diretor, Fred Domingos.

Júlio caiu invicto e Fito veio substituí-lo. O Sport conquistou o tetra e, de quebra, atingiu o novo recorde de partidas invictas no Estadual (49). Por algum tempo, a poeira foi guardada embaixo do tapete. Mas chegou uma hora em que o tapete não agüentou mais. Terminado o Estadual, a dúvida era sobre quem ficava no time, Cris (atacante) ou Sandro Blum (zagueiro), ambos pertencentes à Parmalat.

A departamento de futebol preferiu Cris; o presidente, Sandro Blum. Porém, de acordo com Fred Domingos, a estratégia era fincar pé para o atacante cumprir o contrato até o fim do ano, e conseguir o passe do zagueiro. “Nós sabíamos que a Parmalat queria levar Cris para o Juventude. Trocaríamos a liberação dele pelo passe de Blum, mas o presidente não quis”, conta.

Na estréia no Brasileiro, contra o Vasco, eis que Bivar manda retirar o lateral-esquerdo Edson Miolo da concentração, pois o jogador seria vendido ao Corinthians. Foi a gota d’água. No dia seguinte, os diretores pediram o boné. À tarde, um dirigente remunerado foi contratado, Ruddy Machado. “Quando comunicamos nossa saída ele não falou nada”, relembra.

Como é público e notório, a campanha foi ridícula, o time ficou na lanterna e só não foi rebaixado porque o regulamento do Brasileiro previa decesso para os clubes que apresentassem as piores médias nos anos de 98 e 99.

Antes de o certame nacional chegar ao fim, Ruddy Machado saiu e o advogado Paulo Belfort assumiu a vice-presidência de futebol. O time já tinha ido para o brejo e não houve muito o que fazer. “O clube, desunido, não poderia chegar a lugar nenhum e a atual situação não é mais do que o reflexo dessas brigas”, lembra Paulo Belfort. Ele não vê outra solução para o clube sair do buraco que não seja a volta dos grandes rubro-negros. “Com todo o mundo junto, o Sport é imbatível”, garante.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.11.2001
Segunda-feira