Na Ilha do Retiro, o bug do milênio deu lugar a um grande sentimento de incerteza. A guerra nos bastidores era franca e declarada. Para completar, a imagem do Sport saiu arranhada, após o fiasco no Brasileiro do ano anterior. A grande meta em 2000 era outro título inédito, o de pentacampeão estadual.
Para tanto, quem voltou à ordem do dia foi um velho ídolo da torcida rubro-negra. Homero Lacerda, presidente campeão brasileiro em 87, e pernambucano em 88, foi escolhido para comandar o futebol do Leão da Ilha. Ao lado dele estavam Fernando Lima e Severino Otávio, Branquinho. O gaúcho Celso Roth foi escolhido para armar a equipe.
No âmbito das contratações, o maior nome foi o do meia Adriano, ídolo no Náutico em 99. Vieram também Sidney (volante) e Jaques (atacante), ambos do São Paulo. Mesmo jogando um futebol magro, o time conquistou a Copa Nordeste e o primeiro turno do Pernambucano, este sem muita dificuldade.
Ainda assim, as críticas ao trabalho de Roth aumentaram. Um dos motivos foi um comentário do treinador de que o time do Sport era mediano, e o salário dele, considerado astronômico: R$ 120 mil. Até o presidente em exercício do Conselho Deliberativo, Arsênio Meira, pediu a cabeça do técnico. O gaúcho finalmente caiu e o substituto foi recebido com festa no Aeroporto dos Guararapes. Era Émerson Leão, que comandara o time em praticamente quase toda a campanha que redundo no título nacional, em 87, e voltava após 13 anos.
Foi a injeção de ânimo de que o Sport precisava. O time recuperou-se, venceu o terceiro turno e levou o penta para a Ilha. Em julho, partiu para a primeira Copa dos Campeões, em Maceió e João Pessoa.
Comandado por Nildo, um caruaruense de corpo mirrado e futebol gigante, o Sport não tomou conhecimento do São Paulo, de Raí, e chegou à final contra um combalido Palmeiras. Caravanas de rubro-negros invadiram a capital alagoana, mas o Sport não foi nem sombra do time rápido e envolvente. Perdeu a chance de disputar a Libertadores novamente.
Veio o Brasileiro e o time manteve uma média surpreendente. Terminou a primeira fase em segundo lugar, atrás apenas do Cruzeiro. Por essa época, os salários começaram a atrasar.
Nem mesmo a escolha de Leão para dirigir a seleção brasileira foi suficiente para acalmar os ânimos. Numa das vezes em que o técnico ausentou-se para anunciar uma convocação, os jogadores, por pouco, não deflagaram uma greve. Como no campo ia tudo bem, a oposição ficou em silêncio.
O Sport foi eliminado pelo Grêmio e as brigas voltaram a aflorar, já que dezembro foi mês de eleição, com Luciano Bivar e Wanderson Lacerda disputando o pleito. Acusações de parte a parte e até troca de tapas entre ‘bivaristas’ e ‘wandercistas’ foram o molho da campanha. Sob o slogan “time que ganha não se mexe’ e com a promessa de investimento de um grupo americano para transformar a Ilha num complexo, Bivar saiu vitorioso.