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SPORT (2001)
Muito dinheiro jogado fora e apenas insucessos

O ano vitorioso de 2000 e a reeleição de Luciano Bivar fizeram os rubro-negros comemorarem o a chegada do novo milênio, rindo à toa. Afinal, era o ano do tão almejado hexacampeonato, façanha só conseguida em Pernambuco, pelo Náutico. Mas as primeiras decisões do presidente eleito não agradaram à torcida. Para começar, nenhum dos titulares de 2000 que estavam na Ilha por empréstimo teve o contrato renovado.

A nova ordem era a política pé no chão. Bivar estabeleceu um orçamento para o futebol e as contratações foram bastante modestas. Como discordasse da forma de trabalho e não dispusesse mais de tempo suficiente, Homero Lacerda não continuou no comando do futebol. A gota d’água foi a contratação do técnico. Homero fez de tudo para trazer Levir Culpi, mas o paranaense pediu muito e o Sport ficou com o carioca Jair Pereira.

Bastou a perda do segundo jogo numa derrota diante da emergente AGA para que os cofres da Ilha fossem abertos. De uma só vez, o Leão da Ilha trouxe o volante Axel e os meias Evandro e Eduardo Marques. Pouco depois, quem reaparecia era Jaques, artilheiro no ano anterior.

A cada semana chegavam mais e mais jogadores. Mas nenhum supriu a ausência de Nildo (que rompeu os ligamentos do joelho direito no fim de 2000) e Bosco (vendido ao Cruzeiro). Nem mesmo o tetracampeão mundial Zetti. A maioria dos que vinham, era com salários exorbitantes. O lateral-direito Rodrigo Chagas, por exemplo, recebia R$ 60 mil. Detalhe: estava com o perônio (tornozelo) comprometido.

A perda do primeiro turno custou o afastamento de toda a diretoria de futebol e o vice, Fernando Lima, deu lugar a Otávio Coutinho. “Trouxemos jogadores reconhecidos pela qualidade, mas infelizmente não deu certo. Reconheço que erramos, mas, às vezes as coisas não dão certo. O que devíamos fazer, agora, era trazer de volta grandes rubro-negros, como Jarbas Guimarães, José Antônio Alves de Melo e Wanderson Lacerda”, lamenta o ex-diretor de futebol, José Alves.

Levir Culpi finalmente veio e não acrescentou muita coisa. Deu lugar a Hugo Benjamim. Os fracassos continuaram. Júlio Espinosa assumiu e foi para a Copa dos Campeões. Duas goleadas sofridas para o São Paulo acabaram com o sonho do Sport

Nos bastidores, os ânimos se acirraram com a renúncia de Luciano Bivar, em agosto. Foi marcada uma nova eleição, na qual apenas o Conselho Deliberativo poderia votar. Os oposicionistas não se conformaram, pois queriam a convocação de uma assembléia-geral para os sócios escolherem o novo presidente.

Depois de muitas liminares, Fernando Pessoa venceu com esmagadora maioria, mas nem assim os equívocos diminuíram. Pior. O clube ficou sem dinheiro, sem futebol e caiu para a Segundona. Homero Lacerda, num último esforço, organizou um almoço para tentar unir todas as correntes do clube. Nenhum dos partidários de Luciano Bivar aparaceu.

Na última reunião do Conselho, Homero tentou derrubar o a condição de persona non grata dado ao vice-presidente da FPF, José Joaquim. Sem sucesso. Chateado, o dirigente renunciou e não vê solução para o clube: “Há muito ódio no Conselho”.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.11.2001
Segunda-feira