A doença tem como característica a inflamação das vias aéreas, alterando a função pulmonar. Não tem cura, mas pode ser controlada com medicação e exercícios físicos
por JÚLIA NOGUEIRA
Falta de ar, chiado no peito e tosse seca. Quem sofre com esses sintomas sabe que trata-se de asma, uma doença crônica permanente, que tem como característica a inflamação das vias aéreas, alterando a função pulmonar.
No último dia 14, a atriz inglesa Charlotte Coleman, de 33 anos, que atuou no filme Quatro Casamentos e um Funeral (1994), morreu em Londres, vítima de uma crise forte de asma. De acordo com o pneumologista Blancard Torres, casos como o da atriz são raríssimos, e podem ser explicados como ataques de asma asfixiante muito graves.
A asma é uma doença de prevalência muito alta em todo o mundo, que acomete, principalmente, crianças e jovens na faixa etária de 2 a 20 anos. Segundo Blancard, o índice de ocorrência da doença nessas pessoas varia entre 10% e 20%. No caso de Bárbara Vieira de Melo, 6, a asma apareceu a partir dos seis meses de idade e não parou mais. “No início, as crises eram freqüentes, mas hoje estão mais espassadas”, explica Ilda Melo, avó da menina. O engenheiro de software Mariano Cravo, 23, também sofre com a asma desde os dois anos. “Recorri à homeopatia, mas não surtiu efeito. Fiz natação e nebulização. Na infância, tinha uma crise a cada 15 dias e ficava internado em média uma vez por mês. Hoje só tenho asma uma vez por ano, bem mais fraca.”
A doença pode se manifestar de três maneiras: leve, moderada e severa; e pode ter diversas causas, resultando em vários tipos do problema. O principal é a asma alérgica, que pode surgir a partir de exposição a mofo, cigarro e à poeira acumulada em tapetes e bichos de pelúcia.
Também pode ocorrer após o contato com produtos químicos de cheiro forte como tintas, venenos e até perfumes, além de pêlos, saliva e urina de animais. “Por isso é fundamental a manutenção da higiene na casa e sobretudo no quarto do alérgico. Além de afastar os objetos que possam acumular poeira, o ambiente deve ser iluminado pela luz solar, ter ventilação natural e, de preferência, poucos móveis”, orienta Dr. Blancard.
É importante lembrar também que uma pessoa pode ser asmática devido à uma predisposição genética, além de poder ter uma crise desencadeada pela mudança de temperatura e umidade, após a realização de esforço físico ou por fatores emocionais. Algumas substâncias presentes em alimentos e medicamentos também podem contribuir para o aparecimento do problema. Nesse caso, os vilões são os corantes, o ácido acetil salicílico (AAS) e alguns remédios para tratar a hipertensão arterial, que têm como efeito colateral o broncoespasmo (fechamento dos brônquios), induzindo a asma.
TRATAMENTO - “A asma é uma doença que não tem cura, mas é quase sempre controlável”, afirma Dr. Blancard. Na opinião do médico, o ideal é que a prevenção comece a partir da mãe, desde a gestação, evitando contato com poeira, fumaça, produtos químicos fortes e animais que soltem pêlos.
Se mesmo com esses cuidados a doença aparecer, o ideal é começar logo o tratamento. A boa notícia é que o processo se modernizou e o preço dos remédios está mais baixo.
Atualmente, a medicina alopática moderna recomenda a utilização de dispositivos inalatórios, as famosas ‘bombinhas’, que podem ser em aerossol ou em pó seco. Esses medicamentos têm função antiinflamatória (à base de corticóides) e broncodilatadora. Dr. Blancard explica que os tratamentos por via inalatória são bem mais eficientes que os de via oral como xaropes, que apresentam uma quantidade muito maior de efeitos colaterais. “Por outro lado, mesmo que as bombinhas sejam a melhor forma de tratamento, ainda tem muita gente que não sabe utilizá-las corretamente”, diz. A nebulização, outra forma de tratamento, está em desuso, por que além dos efeitos colaterais, exige a utilização de uma quantidade de medicação muito maior em relação às bombinhas.
Outra alternativa bastante procurada é a homeopatia e até mesmo a acupuntura. O médico homeopata com especialização em acupuntura, José Laércio do Egito, explica que as agulhas são aplicadas na pele, em pontos correspondentes ao sistema respiratório. “Não trabalho com a técnica no dia-a-dia, mas ela é também muito recomendável, por que desbloqueia o fluxo energético do local e reequilibra a função pulmonar.”
O tratamento homeopático é mais complexo. “O ideal é que o paciente volte ao consultório a cada dois meses para, se necessário, trocar o tipo e a quantidade de remédio”, diz. “A eficácia depende da persistência do asmático, utilização correta do medicamento, informações fornecidas pelo paciente e da capacidade do médico de interpretar corretamente esses dados”, explica.
Um exemplo de persistência e disciplina é o de Bárbara. Ela iniciou o tratamento homeopático há dois anos e de lá para cá só teve duas crises fortes. Qualquer que seja o método escolhido, os médicos alertam que o tratamento deve ser contínuo e constantemente monitorado. A prática de exercícios físicos, especialmente a natação, também é recomendada.