Não se trata de um novo Leozinho, como na novela O Clone. Trata-se de uma bolinha com cerca de cem células que, cientificamente, nem sequer é ainda um embrião
WASHINGTON – A empresa norte-americana Advanced Cell Technology conseguiu desenvolver uma tecnologia para clonar embriões humanos. A empresa fez o anúncio ontem sob protestos do Congresso do Estados Unidos e surpresa da opinião pública.
Repetindo a mesma base do processo utilizado para clonar a ovelha Dolly, em 1996, cientistas da ACT, trabalhando secretamente num laboratório no Estado de Massachusetts durante um ano, substituíram com sucesso o DNA (molécula onde está codificada a receita para construir um indivíduo) de um óvulo humano pelo DNA do núcleo de uma célula adulta de pele humana.
Segunda a companhia o objetivo não é criar um ser humano clonado, mas obter células-tronco, capazes de se transformar em qualquer tecido humano, para tratar doenças e fazer transplantes. Com o método, podem ser criadas células para substituição de tecidos do coração, de neurônios e de células do sangue.
Por essa razão, os embriões clonados podem, em tese, fornecer material para regenerar tecidos com problemas em órgãos como o fígado, o pâncreas ou a medula óssea, sem problemas de rejeição – afinal, eles têm exatamente a mesma seqüência de DNA do paciente.
Segundo a companhia, já existem diversos tipos de células-tronco disponíveis para transplantes, mas elas podem ser rejeitadas pelos pacientes como corpo estranho. Com a clonagem isso não ocorreria.
NOVA ERA – “O que esperamos é entrar numa nova era, que chamamos de medicina regenerativa, onde podemos usar tecnologias de clonagem não para copiar seres humanos, mas para trazer as células ao estágio embrionário e, pela primeira vez, substituir células doentes”, afirmou Michael West, presidente e executivo-chefe da companhia.
O estudo preliminar dá conta de duas maneiras de produzir esse tipo de célula. O primeiro é chamado partenogênese. Pela técnica, um óvulo da paciente é ativado sem a fecundação de um espermatozóide. É formado então um embrião, e as células-tronco são produzidas de acordo com o tecido necessário para o transplante.
A outra técnica é chamada transferência nuclear em células somáticas, o que é a própria clonagem. Um óvulo humano então é preparado com a remoção de seu DNA e com a implantação do DNA do paciente. Segue-se a ativação da célula e o desenvolvimento do embrião.