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RUMO A 2002
PPS se distancia do PT e busca aliança com Arraes

Durante congresso estadual do partido, pós-comunistas tentam se firmar como oposição a Jarbas Vasconcelos, acusando o governador – por meio de um manifesto – de liderar um projeto que “aponta para lugar nenhum”

por ANA LÚCIA ANDRADE

O PPS colocou as “cartas na mesa” no jogo da sucessão eleitoral de 2002. Ainda que uma ala do partido, encabeçada pelo presidente nacional Roberto Freire, insista no palanque único, os rumos do PPS sinalizam para um distanciamento do PT, indicam uma aliança com o PSB de Miguel Arraes e colocam os pós-comunistas na oposição mais incisiva ao Governo Jarbas Vasconcelos (PMDB).

O 13º congresso estadual do partido, realizado ontem na Assembléia Legislativa, certamente foi o primeiro momento – desde o início das articulações eleitorais das esquerdas, quando o PPS penou, com baixas em seus quadros, inclusive, por ser entendido como simpático a Jarbas – que os pós-comunistas se colocaram mais críticos ao Governo do Estado.

O líder do PPS no Legislativo, Ranilson Ramos, foi o porta-voz da nova postura frente a Jarbas. Mas nada do que o parlamentar disse diverge do pensamento do partido. Em documento, retirado do congresso, o PPS referendou ponto por ponto.

Para os pós-comunistas, o Governo Jarbas lidera um projeto que “aponta para lugar nenhum”. A Segurança Pública, área que mais tem exposto negativamente o Governo, não foi poupada. O PPS acusou a administração de manter uma relação complexa com as polícias militar e civil e definiu as propostas para o setor como “longe de possibilitar soluções eficazes”. Também criticou a falta de uma política de geração de empregos e denunciou o Governo Jarbas por “não conseguir equilibrar as contas públicas e estar comprometendo a capacidade futura de investimentos do Estado”. “A privatização da Celpe não pode servir apenas para a construção de estradas. O Governo teria que ter uma compreensão maior das necessidades econômicas e sociais do Estado”, relata o documento do PPS.

Antes de seguir para o congresso, que tornou público a oposição cerrada a Jarbas, os pós-comunistas estiveram com o ex-governador Miguel Arraes (PSB), em sua residência. Em seguida, foram à sede regional do PT, conversar com o prefeito do Recife João Paulo (PT). Tudo articulado, às pressas, para antecipar o que deve se confirmar mais tarde: o PPS em um palanque diferente do PT.

No diálogo com o PSB, até Arraes se mostrou mais flexível. “Estamos procurando diluir as nossas diferenças. Eles têm um candidato (Ciro) e nós outro (Garotinho), mas há um ponto fundamental de convergência que é a oposição à política desse Governo que esta aí”, ponderou Arraes, após o encontro com os pós-comunistas.

O “namoro” PPS/PSB revelou-se, ainda mais, na postura do deputado federal Eduardo Campos (PSB), que representou a legenda no congresso do PPS. A sintonia entre os discursos do socialista e dos pós-comunistas – principalmente nas críticas ao Governo Jarbas – estava tão afinada que Roberto Freire ressaltou: “até parece que Eduardo foi um dos redatores do nosso documento”.

E foi no encontro dos discursos, entre PSB e PPS, que o PT se desencontrou com o palanque que pode se formar entre pós-comunistas e socialistas. Acusados, nas entrelinhas, de dificultar a unidade, os petistas reagiram. Dilson Peixoto (PT) reafirmou exatamente o contrário e exigiu clareza nas condições que cada partido impõe ao projeto de palanque único. “Não se pode puxar o tapete do outro. Temos que ser absolutamente sinceros nas posturas interna e externamente”, cobrou.

Já o prefeito João Paulo reconheceu os erros do PT, mas não eximiu os outros partidos de equívocos. “Que fique claro que o PT não está impondo nomes. Temos o direito de colocar a nossa preferência, mas que estará balizada por um projeto geral”, esclareceu. Em seguida, reafirmou o compromisso de manter no Governo a aliança que o elegeu. “Porque muitas vezes sela-se acordos para ganhar a eleição, mas esquecem os aliados no dia seguinte”, enfatizou.

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Jornal do Commercio
Recife - 26.11.2001
Segunda-feira