O projeto do PPS de reeleger o senador Roberto Freire ditou o tom do congresso estadual do partido. Do cenário montado no plenário da Assembléia – com cartazes, adesivos, foguetório e até jingles de campanha – aos discursos de todos os pós-comunistas, não deu outra: é “Freire 2002”. E essa é a condição do PPS para firmar alianças políticas no próximo ano.
A ênfase dos pós-comunistas à candidatura Freire ocorre após uma semana de movimentação dos petistas na articulação de uma chapa majoritária com Carlos Wilson (PTB) e José Queiroz (PDT) nas duas vagas ao Senado. Outro ponto que reforça a tese de PPS e PT em palanques diferentes.
Freire destacou o congresso do PPS como o momento em que os partidos demonstraram “mais claramente” os seus projetos políticos. Reafirmou a preferência pela unidade das esquerdas e criticou os que antecipam a sua inviabilidade. O presidente nacional do PPS, no entanto, reconheceu, em discurso, a dificuldade que o PT terá de romper com a sua “trajetória de hegemonismo da esquerda”. “Eu vejo uma demonstração clara do PT de Pernambuco de discordar de uma cultura petista que dificulta alianças. Mas não é fácil”, reconheceu.
Se a unanimidade em torno de Freire não é a mesma à candidatura de governador do prefeito de Petrolina, Fernando Bezerra Coelho, não importa. Bezerra parece não ter desistido do projeto majoritário. Foi recebido com faixas “O São Francisco precisa de Fernando governador”, discursou como candidato e se colocou claramente – no recado enviado pelo deputado Ranilson Ramos, seu fiel escudeiro – na defesa de um palanque com o PSB e sem o PT.
“Na pesquisa Datafolha de hoje (publicada, ontem, pelo jornal Folha de S. Paulo), há a consolidação de um eleitorado amplo não-petista. Lula tem 35%, mas Ciro, Itamar e Garotinho estão com 41%. É uma tendência nacional que pode rebater aqui. Existem alternativas fora o PT. Isso está ficando claro e precisa ficar mais ainda”, avaliou Bezerra Coelho.