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PM X PALÁCIO III Coronel da reserva diz que na PM não há espaço para a democracia
O coronel Jorge Luiz de Moura não tem medo de desagradar. Tanto que, em pleno terceiro milênio, ele afirma com todas as letras: a Polícia Militar é uma instituição autocrática, onde não há espaço para a democracia. A obrigação do militar é cumprir a hierarquia e a disciplina – regra sagrada que vale tanto para o soldado quanto para o coronel. Moura ficou conhecido por ter negado aos policiais o direito de participarem de associações e, na época em que comandou a PM, chegou a baixar uma portaria proibindo qualquer ato desse tipo.
“Infelizmente, o tempo provou que eu estava certo. Não há dúvidas que essas associações foram o começo de tudo. Foi um grande erro liberar essa prática dentro da PM”, avalia. Moura diz que a lógica da hierarquia foi invertida e a disciplina foi quebrada na PM. “Desde quando cabos e soldados podem tratar de assuntos administrativos do comando? O pé jamais pode dar ordem à cabeça. Sempre foi assim na estrutura militar. E vai continuar sendo”, defende.
O ex-comandante, hoje na reserva, também desaprova a atitude dos coronéis que denunciaram publicamente supostas irregularidades praticadas pelo chefe da corporação, o coronel Iran Pereira. “A autoridade do comandante-geral tem que ser reconhecida. Como oficiais, eles jamais poderiam ter agido dessa forma. Se quisessem reclamar, que usassem os meios competentes, sem desrespeitar a hierarquia”, observa.
O coronel Moura diz que a própria Constituição contribuiu para a situação observada hoje na PM. “Ela deu muita abertura. Trouxe umas liberdades que são incompatíveis com a vida militar”. Para o coronel, o policial que não concorda com essas regras rígidas, só tem uma saída: pedir as contas e ir embora do quartel.
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