Na Serra Negra, mirantes e grutas formam o cenário perfeito para adeptos dos esportes radicais ou apenas para quem é apaixonado pela natureza
por JÚLIA NOGUEIRA
Clima ameno, artesanato, uma culinária generosa e esportes radicais. Tudo isso emoldurado por uma paisagem serrana, que promete ser inesquecível para quem gosta de aventura e quer fugir do calor. Por incrível que pareça, esses atrativos não estão tão longe. O município de Bezerros, no Agreste do Estado, a 100 quilômetros do Recife, tem, também, diversidade artística e folclórica.
No artesanato, destacam-se as xilogravuras do artista J. Borges, a produção de máscaras em papel machê, brinquedos em madeira e frutas de cerâmica. A vaquejada e a folia dos papangus, uma tradição secular e única da cidade, em que mascarados saem às ruas e casas no Carnaval, são as festas populares mais apreciadas.
A gastronomia é variada, mas a produção de bolos, principalmente os do tipo ‘barra branca’, feito à base de mandioca, se sobressai. Para os adeptos do turismo histórico, a cidade possui museus, como o Museu do Campo e igrejas, como a Matriz de São José, que data do século 19.
Mas cresce no município um novo atrativo turístico. Para os mais aventureiros, a cidade guarda um território ainda pouco explorado, com paisagens exóticas e uma importante reserva de Mata Atlântica. É o povoado de Serra Negra, que fica a 10 quilômetros do centro da cidade.
Situado a 960 metros de altitude, o local possui um agradável clima de montanha compartilhado por poucos turistas e pelos 1.800 habitantes que se dedicam basicamente à produção e venda de mel e também à agricultura.
O principal atrativo de Serra Negra é o Parque Ecológico, uma área de 7 hectares localizado no topo da serra, onde espécies da vegetação típica da região, como gravatá e macambira dividem espaço com mirantes e grutas. No Parque Ecológico as rochas também representam uma atração a mais. Elas foram batizadas com nomes curiosos, de acordo com seus formatos, como as pedras da carambola, tartaruga, raio, tubarão e a porta do vento, uma fenda estreita que divide a rocha.
Para os amantes dos esportes radicais como trekking e rapel, a região é perfeita pela geografia desenhada por rochedos e composta por trilhas sinuosas. O povoado também serve de laboratório para pesquisadores e estudantes de turismo de universidades de todo o Estado.
Quem chega pela primeira vez ao município pode ser recepcionado por personagens folclóricos como as ‘Negrinhas da Serra’, no Pólo Cultural de Bezerros, que fica a 3 quilômetros do parque. Lá, os visitantes podem conhecer o anfiteatro, comprar artigos de bordado e tapeçaria e receber dicas de passeios, alimentação e hospedagem.
Serra Negra começa a intensificar a infra-estrutura para receber o turista. A Prefeitura de Bezerros construiu dez chalés em estilo rústico, iluminados como antigamente: com luz de candeeiro. Outra opção é o Privê Florada da Serra, que fica dentro do Pólo Cultural, com energia elétrica e banho morno.
Para chegar à Serra Negra, há ônibus que saem diariamente da Ponte do Comércio (Bezerros), às 6h e às 13h. Preço: R$ 1. Outra opção são as lotações que saem do centro da cidade. Nesse caso, o valor da passagem deve ser negociado com o dono do veículo.