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ZINE
Carol Almeida
O fim da equação de
Mutarelli
Lourenço
Mutarelli foi eleito este ano o melhor quadrinista
brasileiro pelo HQ Mix, o maior prêmio dos quadrinhos no
País. O crédito é mais do que merecido. Afinal de
contas, ninguém hoje consegue ter uma traço tão rude,
sendo tão preciso, ninguém consegue construir
personagens tão estúpidos, sendo tão tristemente
humanos. Este mês, Lourenço lança no mercado seu mais
novo livro, novamente pela editora Devir. A Soma de Tudo
é a continuação (e finalização da trilogia) que
começou com O Dobro de Cinco e em seguida deu origem a O
Rei do Ponto.
O livro, no entanto, não pontua o fim da série como
seria de se esperar. Lourenço, para sorte de seus fãs,
perdeu o poder de síntese e terminou criando duas partes
para A Soma de Tudo. Resultado: ficou uma trilogia de
quatro livros.
Mas, ao que interessa: sim, A Soma de Tudo é mais um
clássico de Mutarelli, se bem que menos
colorido (apesar de ser editado em
preto-e-branco) que O Dobro de Cinco, por exemplo. A
história novamente tem como personagem central o
detetive Diomedes, um gordo baixinho que, acima de tudo,
é um fracassado, perdedor. O enredo dessa vez se passa
em Lisboa, cidade que Mutarelli retratou com uma grandeza
de detalhes assustadoramente impressionante. A página em
que ele mostra parte do portal da Igreja dos Jerónimos
é impressionante. Lisboa é dissecada em seus pontos
turísticos, seu jeito, seu povo brando, como
diz o próprio Mutarelli. Há uma pesquisa geográfica e
histórica entre as páginas, o cenário é tão real
quanto a realidade desumana dos personagens fictícios.
Na capital portuguesa, Diomedes mais uma vez entra numa
roubada e volta a se deparar novamente com o nome do
mágico Enigmo. Algo de nebuloso e confuso toma a
atmosfera e, claro, não é conveniente falar do final,
mas sabe-se apenas que, pela primeira vez, Diomedes entra
numa completa depressão. Observação: no meio da
história, há uma rápida aparição do personagem Tin
Tin.
A parte dois de A Soma de Tudo será lançada somente no
próximo ano.
Detetive
italiano
Passaram-se quase dez anos até que ele voltasse a
aparecer no Brasil. Dylan Dog, o detetive italiano criado
nos anos 80 por Tiziano Sclavi, é novamente publicado no
País, dessa vez pela Conrad Editora. A minissérie de
Johnny Freak (nome do artista que é deficiente físico e
personagem central desse enredo) é dividida em seis
partes e cada uma custa R$ 4,50. Dylan, cujos traços
são inspirados na fisionomia do ator inglês Rupert
Everett, é um ex-policial e ex-alcoólatra, que decidiu
trabalhar sozinho em casos sobrenaturais. Algo como um
Arquivo-X mais próximo da sarjeta. O clima é um pouco
de noir e trash ao mesmo tempo.
Brasil em HQ
No próximo dia 5 o cartunista e quadrinista
pernambucano Lailson Cavalcanti faz uma megaexposição
com os personagens de sua série Pindorama contando a
história do Brasil. Lailson, que vem trabalhando nesse
enredo desde o começo deste ano, tomou como personagem
central da história o personagem Vasco Cuínas Del
Mangue, um português boa-praça que lavava o convés da
esquadra de Pedro Álvares Cabral. A exposição será na
Torre Malakoff.
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Jornal do Commercio
Recife - 26.11.2001
Segunda-feira
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