por ANDREZA VASCONCELOS
Primeiro veio a boa e velha peladinha. Amigos reunidos para bater uma bolinha na praia durante a maré baixa. Depois foi a vez do vôlei chegar na areia. Com o tempo, ganhou carga total e sucesso de público e mídia. Na esperança de também virar espetáculo, outras modalidades aderiram à moda e a onda pegou. Hoje, não há praia sem pelada, fim de tarde sem vôlei e férias sem torneios de futevôlei, beach soccer, handbeach e até (quem diria?) basquete de areia. Um dos mais tradicionais esportes de quadra não agüentou a pressão e rendeu-se à brisa do mar e ao céu azul como pano de fundo. Mas, afinal, por que os esportes estão invadindo a sua praia?
Praticar esportes na praia sempre foi uma tentação. Antes mesmo do frescobol, a prática da pelada entre amigos já era um hábito. Hábito que, diante de tantas vantagens – sol, mar e a brisa marinha para espantar o calor – a idéia de levar outros esportes para a praia parecia o passo mais óbvio. Foi aí que os atletas invadiram as areias, e os torneios, a exemplo dos circuitos de vôlei, viraram grandes eventos e, conseqüentemente, espetáculos lucrativos.
O vôlei de praia é o mais popular dessas modalidades. No Brasil, surgiu na década de 50, quando foram disputados os primeiros torneios amadores, em Copacabana e Ipanema.
Durante anos, o esporte foi visto apenas como uma distração de fim de semana, praticado por milhares de pessoas em muitos pontos da orla marítima brasileira.
“Se um grupo de amigos começa a jogar freqüentemente, é natural que queira montar um torneio. É assim em qualquer setor e foi assim que começaram os primeiros torneios”, explica César Carneiro, jogador e estudioso assíduo da praia de Boa Viagem nos anos 70.
Como os torneios começaram a atrair um número cada vez maior de espectadores e de atletas, os campeonatos regionais explodiram, tornando-se a atração do verão nas principais capitais do País. “O público da praia é rotativo. Vai, dá um mergulho, volta, assiste. É muito ligado a lazer. Por isso, o esporte na praia faz sucesso”, explicou Fortunato Russo, presidente da Federação de Voleibol do Estado de Pernambuco – Fevepe.
Em 86, grandes nomes internacionais foram reunidos pela primeira vez para o Hollywood Volley, em Copacabana, no Rio, e em Santos, São Paulo. A partir desta competição, o vôlei de praia começou a conquistar espaços na mídia e foi oficializado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB), que realizou o primeiro Campeonato Mundial, no Rio, em 87.
“Durante os primeiros anos de Circuito Mundial, os americanos dominaram a modalidade. Devagar, os brasileiros foram ganhando espaço e hoje são absolutos no circuito”, explica César. As mulheres só começaram a ter vez na arena a partir de 92 quando foram realizadas as primeiras competições femininas.
Em 1993, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, o espanhol Juan Antonio Samaranch, assistiu à etapa carioca do Circuito Mundial e deu seu aval para a entrada do vôlei de praia no rol dos esportes olímpicos. Nem precisava, o esporte já havia tomado as praias do mundo inteiro.
BOLA ROLANDO – Outro que não demorou nada a cair nas graças do público foi o futebol. A amadora pelada se profissionalizou e a partir de 1957 foi fundada a 1ª Liga Oficial de Futebol de Praia. Eis que surgiu o beach soccer em terras tupiniquins. O nome pode até ser em inglês, mas a modalidade juntou duas paixões bem brasileiras: futebol e praia.
A modalidade mistura as regras do futebol de campo com as de futsal. O jogo é disputado com cinco atletas de cada lado que, por causa do desgaste físico, causado pelo sol e pela areia fofa, jogam partidas divididas em três tempos de 12 minutos, com três de descanso entre eles.
Apesar das semelhanças, o futebol jogado na praia apresenta algumas diferenças básicas. Portanto, se você estiver em plena arena e receber um cartão azul, não se espante.
A punição significa que você cometeu uma falta grave e terá que ficar dois minutos fora do jogo. Essa é a pausa para a sombra e a água de coco. Vantagem que só o futebol de praia tem.