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MÚSICA
Mallavoodoo traduz sua filosofia no CD de estréia O Inverno e a Garça

Banda de jazz contemporâneo comemora cinco anos de existência com o primeiro show de lançamento do álbum, hoje, no shopping Sítio da Trindade

por MARCOS TOLEDO

No meio da diversidade musical pernambucana há lugar para todos os gêneros. O jazz, apesar de restrito a público específico, cultiva uma cena que já dura mais de 20 anos. Para acrescentar algumas linhas nessa história, surgiu a Mallavoodoo, banda de jazz ‘contemporâneo’ que completa cinco anos e lança hoje, na Opus Discos do Shopping Sítio da Trindade, às 20h, seu CD de estréia: O Inverno e a Garça.

A definição de jazz ‘contemporâneo’, apesar de ‘manjada’, é a que mais se aproxima do som da Mallavoodoo. Conceito plantado no início dos anos 60, pelos precursores do free jazz; uma música atonal e influenciada por ritmos alheios à raiz tradicional do americano.

O quarteto formado por Thales Silveira (contrabaixo), Mário Lobo (teclado e saxofone), Alexandre ‘Bicudo’ (violão e guitarra) e Ebel Perrelli (bateria), no entanto, não se deixa rotular. Facilmente permeia outros estilos, como o cool e o hard bop, bastante notado nesse primeiro disco, que, acima de tudo, mantém uma unidade impecável.

A semente da Mallavoodoo surgiu no início dos anos 80, quando Thales e Mário se conheceram na Berklee College of Music, em Boston (EUA). Pouco tempo após a volta de ambos ao Recife, encontravam-se nas jam sessions de lugares como o antigo restaurante Berro D’Água. Em 1991, foi a vez de Alexandre ‘Bicudo’ se integrar à dupla.

O ponta-pé para o surgimento da banda, porém, surgiu de forma inusitada. Em 1996, o trio foi convidado para animar o público da casa noturna Sanatório Geral, no Recife Antigo. Junto com Ebel e o guitarrista João Maurício (que apenas cantava e ficou pouco tempo com o grupo), reuniram-se para cantar versões de temas do Rolling Stones, Beatles, Led Zeppelin, enfim, rock’n’roll.

“Mas nossa abordagem sempre foi jazzística”, garante Thales. “A gente tocava as músicas e, devido ao entrosamento, ‘rolava’ outras coisas na hora, no improviso. Nunca tocávamos cover”. O baixista, membro da Orquestra Sinfônica do Recife, afirma que toca música de Carnaval todos os anos, mas gosta mesmo é “do som universal”.

Outra peculiaridade na formação da Mallavoodoo diz respeito às oportunidades nas quais a banda encontrava mais espaço para executar o jazz: festas privadas e recepções. “Mas esse início não teve nada a ver com o som que a gente faz hoje”, explica Thales.

O que restou foi a idéia de se fazer música instrumental. Sendo o jazz o gênero mais em comum entre os integrantes, este prevaleceu. “Sempre gostei de jazz”, diz Bicudo. “O jazz é a liberdade de você ser e fazer o que quer”, completa Thales. “É uma filosofia de vida, não só o som”.

Thales conta que, aos poucos, o grupo foi inserindo composições próprias no repertório, o que culminou na idéia do disco. Ano passado, o projeto obteve aprovação no Sistema de Incentivo à Cultura do Recife e foi, finalmente, viabilizado, com patrocínio do Hospital Jayme da Fonte.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.03.2001
Quarta-feira