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REFORMA AGRÁRIA
Governo cede e aceita negociar com o MST

Trabalhadores exigem do Incra a liberação imediata do crédito para custeio agrícola e o parcelamento das áreas já desapropriadas pela instituição oficial

URUANA, MG – O Governo cedeu às pressões do Movimento dos Sem Terra (MST) e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Sebastião Azevedo, vai receber hoje à tarde uma comissão de sem-terra para negociar a pauta da reivindicações do movimento. Eles exigem do Incra a liberação de crédito para custeio agrícola e o imediato parcelamento das áreas já desapropriadas.

O diálogo do MST com o Governo foi intermediado pelo superintendente do Instituto de Terras de Minas Gerais, Marcelo Rezende, e pelo prefeito de Uruana, Sebastião Caetano (PSDB).

Para pressionar o Governo, o MST estava ameaçando invadir a fazenda Renascença, do embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima, a 20 quilômetros de Uruana.

Desde domingo cerca de 600 integrantes do MST estão acampados em uma das cabeceiras da ponte do Rio São Miguel, a três quilômetros da cidade de Uruana. No domingo houve confronto com a Polícia Militar e 30 manifestantes foram feridos – 17 deles atendidos no Hospital de Arinos (MG), a 40 km do acampamento.

Os sem-terra também vão se reunir com a representação do Governo de Minas Gerais em Brasília e com o presidente da Câmara Federal, deputado Aécio Neves (PSDB-MG).

Ontem em Uruana, os sem-terras aceitaram conversar com o Governo, mas vão permanecer no local. “Só vamos sair daqui quando tivermos uma resposta concreta para nossa pauta de reivindicações”, anunciou um dos líderes do MST, Jorge Augusto Xavier.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.03.2001
Quinta-feira

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