URUANA, MG – O líder do MST Gilmar de Oliveira disse ontem, nesta cidade, que o movimento vai intensificar as ocupações de terra em todo o País. A decisão é uma represália à portaria do Governo que suspende, por dois anos, as vistorias nas áreas invadidas e exclui os invasores do processo de reforma agrária.
“Não vamos nos intimidar com essa medida”, disse Oliveira, que vê na portaria uma tentativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário de sufocar os sem-terra.
Segundo Oliveira, a medida é arbitrária, mas os sem-terra não vão se intimidar. “Em vez de nos enfraquecer, essa atitude vai reforçar nosso movimento”, avalia o líder. Ele criticou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, que não estaria cumprindo os acordos firmados com os sem-terra.
“Chega de embromação. Desta vez não iremos ceder”, disse o líder. Ele lembrou que, em quatro momentos o movimento desmobilizou seus acampamentos após o Governo se comprometer a atender as reivindicações. Mas até agora, segundo ele, nenhuma promessa foi cumprida.
Segundo Oliveira, os sem-terra têm comida para permanecer pelo menos uma semana acampados perto da ponte sobre o Rio São Miguel, em Uruana.