POR JANAÍNA LIMA
Enviada especial
CURITIBA - O ator e diretor de teatro paulistano Antônio Abujamra subiu, na noite de terça, ao palco do Teatro do Sesc, no Centro de Curitiba, elogiando a produção Um Réquiem para Tadeuz Kantor, da companhia polonesa Ariel Theatre, encenada na véspera, no mesmo local. Fazendo pose, ele questionou sua capacidade para estar no mesmo palco que o grupo estrangeiro. Estreava, assim, no 10º Festival de Teatro de Curitiba, o monólogo O Provocador@.
Abujamra não trouxe nada de novo. Na verdade, encenou o mesmo personagem que representa na televisão, no programa Provocações, exibido pela TV Cultura, aos domingos, e trechos de outro espetáculo, Veneno do Teatro, que marcou os 50 anos de carreira do artista, em 2000. Abujamra recitou poemas e contos de autores como Hilda Hilst, André Santana, Patrícia Mello, Jacques Lacan, Eurípedes, Thomas Jefferson e Freud e apresentou trechos da série Provocações, como uma reveladora entrevista com a Tiazinha. O papo informal foi ao ar em uma das primeiras edições da atração e causou gargalhadas na platéia, pelas inacreditáveis respostas dadas pela artista.
As projeções no telão eram intercaladas com depoimentos e leituras sobre assuntos variados: como a ignorância dos artistas nacionais, crimes passionais, sexo doentio, políticos corruptos, curiosidades do tempo em que foi diretor da Tupi e sobre um teste para ator que realizou nos Estados Unidos. Tudo pontuado por um cinismo que, ao mesmo tempo em que agredia a platéia, fazia tudo soar falso, como uma farsa de mau gosto.
O Festival de Teatro de Curitiba parece que não aprendeu a lição do ano passado quando Gerald Thomas, encenou um espetáculo propositalmente inacabado. O pior de tudo é que o dinheiro gasto com a performance de Abujamra poderia garantir momentos de ótima qualidade, se o próprio diretor o tivesse investido em algo novo.