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EDUCAÇÃO
Estudantes exigem ensino de qualidade

Estudantes secundaristas de 11 municípios de Pernambuco protestaram, ontem, no centro do Recife, contra a falta de professores na sala de aula e as más condições das escolas públicas do Estado. Com faixas, pernas-de-pau e rostos pintados, eles saíram em passeata pelas principais ruas da cidade, realizando um ato público em frente à Secretaria de Educação, onde tentaram ocupar o prédio. A manifestação também foi um questionamento da qualidade do ensino do Estado, que ficou em 24º lugar no Sistema de Avaliação do Ensino Básico (SAEB) do Governo Federal em 1999.

“O Governo precisa dar um basta ao sucateamento das escolas. Os alunos não aguentam mais ficar em salas superlotadas, sem bancas, com problemas de instalação elétrica e insegurança”, disse Izabel Acioli, integrante da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe). A estudante informou, ainda, que a Matrícula Fácil, instituída pela Secretaria de Educação no ano passado, precisa ser reformulada. “Isso não funciona. O ano letivo começou há quase um mês e ainda tem gente que não sabe onde vai estudar, porque as Diretorias Regionais de Ensino não fazem a orientação adequada”.

Para Bruno Martins, aluno de Caruaru, a falta de professor é a principal dificuldade das instituições de ensino do município. “A carência é tanta que tem professor de Geografia lecionando Matemática”, declarou. Segundo ele, as escolas apresentam problemas nas estururas dos prédios, como goteitas, e falhas de infra-estrutura, como lixo acumulado e falta de segurança. “Os arrombamentos são frequentes.”

Em Jaboatão dos Guararapes, a falta de segurança também é motivo de reclamações. “Vivo com medo de assaltos, porque estudo à noite e não há vigilantes”, disse Lidiane Gomes Ramos, 19, estudante da Escola Visconde de Suassuna, em Prazeres.

Mesmo sendo um dos mais tradicionais colégios do Recife, o Instituto Educacional de Pernambuco (IEP) não foi poupado das críticas. “Apesar da reforma feita há pouco tempo, as bancas permanecem velhas e não há professores das disciplinas de Educação Física e Educação Artística”, explicou Natália da Silva, 17.

Após a passeata, 15 estudantes, entre eles, secundaristas e universitários, reuniram-se com a secretária em exercício de Educação, Edenise Galindo, e a diretora de Desenvolvimento da Escola e do Estudante, Eugenilda Coimbra, para discutir as dificuldades das escolas, a 24ª posição na qualidade do ensino, segundo o MEC, e exigir uma postura do governo. Eles entregaram um dossiê, mostrando a situação de algumas das 994 escolas do Estado.

Edenise reconheceu que há problemas na educação pernambucana. “Estamos trabalhando para mudar essa colocação no SAEB, mas não poderemos atingir o ideal”. Eugenilda Coimbra justificou a falta de professores. “Fizemos a inscrição para cargos temporários de dois mil professores e três mil estagiários, os quais devem estar sendo relocados”. Quanto à Matrícula Fácil, ela argumentou que, no próximo ano, haverá modificações.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.03.2001
Quinta-feira