Professores e funcionários reclamam das péssimas condições de trabalho, do “descaso” do Governo com questões trabalhistas e da má qualidade do ensino
Não são apenas os alunos da rede estadual de ensino que estão indignados com a precária situação da educação pública em Pernambuco. Professores e funcionários também reclamam de péssimas condições de trabalho, do que consideram descaso do Governo com questões trabalhistas e falta de preocupação em melhorar a qualidade do ensino. “A educação pública no Estado precisa, urgentemente, de um tratamento sério. Não há nenhuma prioridade, por parte do Governo, nas questões educacionais”, observa a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Teresa Leitão. A categoria decide, hoje, durante assembléia no IEP, às 14h, se deflagra a greve decretada no último domingo. A principal reivindicação é a implantação, por tempo de serviço, do Plano de Cargos e Carreiras.
A rede tem, atualmente, cerca de 950 mil alunos e 34 mil professores. “Tanto o número de docentes quanto o de funcionários não é suficiente. Há uma carência de pelo menos quatro mil professores. Faltam, também, técnicos administrativos. A Secretaria de Educação prometeu a realização de um concurso público, desde o ano passado, mas não fez nada até agora”, afirma Teresa. “O processo de matrícula foi extremamente desorganizado e resultou na superlotação de turmas. Fica difícil conciliar um grande número de alunos sem haver aumento de pessoal.”
A presidente do Sintepe também reclama das condições físicas das escolas. “Em muitas unidades, não temos como desenvolver um bom trabalho. Não há bancas para os alunos assistirem às aulas, por exemplo”, destaca. Teresa denuncia, ainda, a ausência de uma política de formação permanente de professores e de gestão. “Não somos tratados como profissionais. O salário é inadequado, obrigando muitos professores a ampliar a jornada para mais de um turno de trabalho. Além do desgaste, isso impossibilita a formação continuada.”
Outro aspecto que preocupa a entidade é como vem sendo realizada a municipalização do ensino fundamental de 1ª a 4ª série. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), classes de 1ª à 8ª série devem ser oferecidas em regime de colaboração entre Estado e municípios. Mas segundo o Sintepe, na prática, isso não vem ocorrendo. “Com a municipalização, muitos professores estão à disposição da Secretaria de Educação. Enquanto observamos escolas como turmas de 82 alunos, há outras em que os docentes estão sem classes para lecionar.”
Segundo a Secretaria de Educação, uma comissão está estudando a possibilidade da realização de concurso público para professor, de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O órgão informa, também, que foram distribuídas 81 mil bancas, desde o início do ano letivo, além de 20 mil recuperadas. As diretorias regionais de Ensino receberão, cada uma, R$ 10 mil, para recuperar mesas e cadeiras.