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EDUCAÇÃO III
Para muitos alunos da Etepam, ano letivo não começou

Duas das mais tradicionais escolas públicas do Recife - a Escola Técnica Professor Agamenon Magalhães (Etepam), que funciona na Encruzilhada, e o Ginásio Pernambucano (GP), provisoriamente instalado na Rua do Hospício – são exemplos de como a educação no Estado precisa melhorar. Apesar de o mês de março estar quase no final, o ano letivo para as turmas de ensino médio da Etepam dos turnos da tarde e da noite ainda não começou. Cerca de 800 estudantes estão sem aula. O atraso na reforma do prédio também está prejudicando as classes dos cursos profissionalizantes. No Ginásio Pernambucano, as salas são pequenas e estão superlotadas, faltam bancas e a infra-estrutura é deficiente.

“A reforma começou em setembro do ano passado, e a previsão era de que fosse concluída em fevereiro. No início de março, mesmo sem as obras estarem prontas, a empresa responsável pela reforma abandonou a escola”, afirma o diretor da Etepam, Orlando Soares Filho. Como o segundo andar do prédio está totalmente interditado, seis salas, incluindo a biblioteca, estão sem uso. No térreo, o corredor serve de abrigo para os equipamentos do Laboratório de Mecânica, já que a sala também foi desocupada para ser reformada. Do mesmo jeito, estão o auditório e a cobertura da quadra, com obras inacabadas.

A Secretaria Estadual de Educação informa que o prédio onde funcionava o Colégio Especial, na Boa Vista, foi alugado para abrigar os alunos da Etepam, até que a reforma da unidade seja concluída. As aulas começam na próxima segunda-feira (02). A secretaria diz, ainda, que a interrupção das obras ocorreu para atender a reivindicações da direção da escola, que sugeriu mudanças no projeto inicial. O órgão garante, também, que os 200 dias letivos previstos por lei serão ministrados.

No Ginásio Pernambucano, a falta de bancas tem feito com que muitos estudantes assistam às aulas em pé ou voltem para casa mais cedo. “O calor é insuportável, as turmas estão abarrotadas de alunos e não temos nem uma cadeira para sentar”, reclama o presidente do Grêmio Estudantil, Damião Araújo. “Os professores são bons, mas não podem fazer nada. Há salas com fios expostos, paredes sujas e muita coisa quebrada”, diz o aluno do 1º ano do ensino médio Ericson Silva. Segundo a diretora da escola, Graça Bentzen, já foram solicitadas mais bancas à Secretaria de Educação. Quanto aos problemas na parte física do prédio, ela acredita que serão resolvidos assim que o reforma no edifício do GP, em Santo Amaro, ficar pronta. A previsão é julho deste ano.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.09.2000
Sexta-feira