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AGRICULTURA
Ministério Público exige do IPA explicações sobre praga

Plantações de palma em Sertânia estão sendo dizimadas por cochonilhas, insetos que haviam sido levados para o local em 98 num experimento da empresa. Se for comprovada culpa, a estatal pode responder criminalmente

O Ministério Público Estadual notificou, ontem, a Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA) a prestar esclarecimentos sobre a praga da cochonilha nas plantações de palma de Sertânia, a 316 quilômetros do Recife. O inseto, que suga a seiva da planta até a morte, foi levado para a unidade do IPA no município em 1998, de onde teria se alastrado para 750 hectares de palmais no início deste ano.

O responsável pela Coordenação de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público, Geraldo Margela Correia, adianta que o IPA pode responder criminalmente pela disseminação da praga. “Caso seja comprovado que o experimento conduzido pela empresa estatal foi a causa do desastre, daremos entrada num processo-crime contra o IPA”, disse.

Os representantes do IPA têm um prazo de 10 dias para comparecer à sede da coordenadoria, na Avenida Visconde de Suassuna, 99, na Boa Vista. Outra medida adotada pelo Ministério Público foi enviar cópia da reportagem sobre a praga publicada ontem no Jornal do Commercio para a promotoria de Justiça de Sertânia. “Dessa forma, se necessário, podemos atuar na capital, onde está a sede do IPA, e também no local do acidente”, explica Margela.

De acordo com o promotor, se ficar comprovado que a infestação dos palmais se deu a partir da unidade do IPA em Sertânia o presidente da empresa, Roberto Moura, poderá responder a processo baseado na Lei de Crimes Ambientais e no Código Penal.

DESASTRE – A cochonilha foi utilizada no IPA de Sertânia num experimento demonstrativo de seu cultivo para extração de um corante natural vermelho. Denominado de ácido carmínico, o produto é empregado em bebidas como o Campari e na indústria alimentícia, em iogurtes e biscoitos. Vislumbrando esse mercado, onde o quilo de cochonilha seca é vendido de US$ 90 a US$ 100 o quilo, o IPA pretendia, com o experimento, oferecer uma alternativa de renda para o sertanejo.

A palma, que custa R$ 20 a tonelada, serve apenas como forrageira, ou seja, alimento de animais. Na opinião do presidente do IPA, Roberto Moura, caso houvesse mercado consumidor para a cochonilha no Estado, o inseto não seria encarado como praga. Isso porque, quando cultivada com fins comerciais, a cochonilha (denominada cientificamente de Dactylopius coccus) é removida antes de prejudicar a planta. Para combater o inseto, o IPA está testando inseticidas e a ação de inimigos naturais como a joaninha e um fungo encontrado na palma.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.03.2001
Quinta-feira