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COMBUSTÍVEIS
Preço da gasolina cairá 5,4% em abril

Em Pernambuco, no entanto, expectativa é de que a redução fique bem abaixo da média nacional, anunciada pelo presidente FHC

BRASÍLIA – O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem a redução de 5,4% no preço da gasolina nas refinarias a partir de 6 de abril. Para o consumidor, o preço cobrado dependerá da decisão dos donos de postos, já que o preço do produto é livre nas bombas. A expectativa, no entanto, é de redução média de 4%. De acordo com o presidente Fernando Henrique, na BR Distribuidora o preço da gasolina vai cair 3,8% em Macapá, 4,4% no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, 4,2% em São Paulo, 4,3% em Belém e 3,9% no Recife.

Em Pernambuco, os empresários do setor estão divididos. Uns acham que a redução será pequena e não quiseram antecipar percentuais. Outros, porém, arriscaram informar que a queda possa chegar até 4,3% para as distribuidoras. Na bomba, isso pode significar uma redução de preços de até 3,7%.

Para alguns analistas, o repasse para o consumidor pode não ser total. Segundo o economista do BBV Banco Fábio Akira, os últimos aumentos do preço dos combustíveis não foram repassados totalmente ao consumidor. Para ele, agora que ocorre redução dos preços, os postos poderão optar em recompor suas margens.

O percentual de redução tem como base a fórmula paramétrica, anunciada pelo Governo Federal em 22 de novembro do ano passado. A fórmula considera a flutuação do preço da gasolina para cima ou para baixo, dependendo da relação entre o preço do petróleo no mercado internacional e a variação da taxa de câmbio doméstica. Como se tratava de uma época de transição, o Governo havia se comprometido, no entanto, a aplicá-la apenas se houvesse queda de preço da gasolina.

Analistas estranharam a decisão do presidente em anunciar o preço ontem, mesmo dia em que uma pesquisa indicou aumento de sua popularidade. Pelas regras anunciadas, a média de preços seria calculada até o dia 31 deste mês. O próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse em Londres que seria impossível divulgar qual seria a queda de preços antes do término da apuração de preços, na sexta-feira. Até hoje, a fórmula paramétrica indicava redução e preço da gasolina de 5,36%. Com a antecipação da divulgação do índice, o Governo terá prejuízo no caso de o petróleo disparar no mercado internacional ou o dólar subir.

Como o preço está liberado, as demais distribuidoras não são obrigadas a repassar a redução de custos. O Sindicato Nacional dos Distribuidores de Combustíveis (Sindicom) estima que a queda nos postos deverá ficar em média em 3,8% ou R$ 0,06 por litro (considerando o litro da gasolina comum a R$ 1,60).

A queda no preço da gasolina vai ajudar o Governo a cumprir a meta de inflação de 4% fixada para este ano, que pode variar dois pontos percentuais para cima ou para baixo. “A redução de R$ 0,06 por litro é potencial”, explicou Alíseo Vaz, diretor do Sindicom. Ele disse que não há pressões de custos nas distribuidoras que impeçam o repasse da redução na refinaria. “Se houvesse algum problema, o preço já poderia ter subido antes.”

O preço do gás de cozinha, do diesel e do querosene de aviação não deverá ter queda. No próximo ano, o Governo vai liberar a importação de derivados de petróleo e o preço do produto na refinaria. A partir daí, não haverá mais anúncios oficiais de reajustes ou reduções no preço dos combustíveis.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.03.2001
Quinta-feira