A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) já conseguiu mandar para a cadeia quatro clientes que roubavam energia através de “macacos” – a fraude mais comum nessa área.Três proprietários de panificadoras, localizadas em Boa Viagem, Barro e Imbiribeira, e o de um salão de beleza, no Jordão, foram autuados em flagrante pela equipe do Núcleo de Apoio Especial do Serviço Policial, na Boa Vista, e encaminhados ao Presídio Aníbal Bruno.
De acordo com o Código Penal Brasileiro, o desvio de energia elétrica é crime previsto no Artigo 155, com pena de até quatro anos de prisão e aplicação de multa.
No último balanço, a Celpe informou ter uma perda média de 19,4% na distribuição da energia, o que representou um prejuízo de R$ 180 milhões. “Além do prejuízo financeiro, o furto causa danos para a rede elétrica, o Estado deixa de recolher o ICMS e ficamos sem saber a real situação da distribuição de energia. Por conta dos clandestinos e não podemos oferecer serviços de qualidade”, disse o gerente do Departamento de Redução de Perdas da companhia, Alexandre Paschoal.
Antes de colocar a polícia em ação, os técnicos da companhia orientam os clientes sobre a importância da regularização do uso de energia e recebem um prazo para regularizar a situação. Passado o tempo estipulado, a Celpe volta ao local para verificar se o problema foi resolvido. “Permanecendo a irregularidade, nós não admitimos mais a prática. Isto em defesa dos que não roubam energia”, afirmou Paschoal, acrescentando que a multa é correspondente a 30% do valor calculado da energia furtada pelo clandestino.
De acordo com a Celpe, o perfil do consumidor que usa “macaco” é bastante variado. “Você pode encontrar gambiarras na favela ou em comércio. Se bem que são as micro e pequenas empresas que mais praticam o furto porque a concorrência é desleal e o gasto com energia é grande, pesando muito no orçamento”, relatou Paschoal.
No primeiro momento, a campanha da Celpe intitulada Não caia nessa. Evite acidentes, acontece nos bairros de Cavaleiro, Imbiribeira e Prazeres. “Escolhemos esses bairros porque, segundo nossos relatórios, constituem três grande bolsões de irregularidades. Em uma semana, esperamos ampliar a iniciativa para todo o Estado. Primeiro, vamos avaliar os resultados positivos e negativos do trabalhamos que desenvolvemos”, explicou o gerente de Redução de Perdas.
A intenção é preparar o terreno para a chegada de um eventual racionamento. “Com a redução de oferta de energia, a receita da Celpe deve reduzir e a perda deve subir um pouco. Se conseguirmos diminuir os roubos de energia, as pessoas conseguirão acesso a um pouco mais de energia porque teríamos uma folga no sistema de abastecimento”, garantiu.