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BANHO EM QUEDA LIVRE

ROSÁRIO DE POMPÉIA

O mês de março anuncia o fim do verão. Essa frase, para muitos, é sinal de que a diversão acabou. Para outros, o lazer está apenas começando. Essa é a época do aumento do volume das águas dos rios, o que favorece os banhos nas cachoeiras. Cenário de encontros românticos, as cachoeiras são muito freqüentadas por famílias e grupos de amigos que possuem o único propósito: relaxar do cotidiano, sem escutar o barulho de buzinas ou de qualquer coisa que os deixem estressados.

Se sua opção para este fim de semana é aventura, sua parada pode ser a Cachoeira Véu da Noiva, localizada no município de Bonito. Para encontrá-la será preciso contratar um guia turístico, que o levará por uma trilha de 4 Km. Nem ouse perguntar ao guia se o local tem cobras ou outros bichos perigosos, eles vão sempre responder que nunca viram nenhum bichinho. Para prevenir, use calça comprida e tênis.

O passeio inclui subidas e descidas numa trilha de mata fechada. Dá até a sensação de estar ‘no limite’, com um pouco mais de dificuldade que a gincana que o programa apresenta. A cachoeira Véu da Noiva é bastante freqüentada por esportistas. Devido a sua altura, 72m, ela permite a prática do cânion, uma descida a partir do topo da queda d’água, utilizando cordas.

Mas, aqueles que acham que o caminho pela trilha já foi uma aventura, esperem até sentir a temperatura da água. O mergulho gelado deve ser feito com muito cuidado, porque poucas partes da cachoeira permite o banho seguro. O passeio não é recomendado para crianças ou idosos.

Para esse público, as cachoeiras de Barra Azul e Correntes, também em Bonito, são as ideais. A primeira delas – localizada no Engenho Casa Azul que, hoje, serve como pousada– possui pequenas poças no seu percurso, que servem como banheiras naturais de hidromassagem. No final da sua queda, os banhistas se divertem numa profundidade de no máximo 1,15m com uma correnteza fraca. “Nos fins de semana é impossível tomar banho devido a grande quantidade de pessoas. Tem horas que nem um mergulho dá para fazer. Por isso, aconselho visitá-la durante as quintas e sexta-feiras”, afirma a guia Lila, que trabalha no local há 12 anos.

O acesso à cachoeira pode ser feito de carro. O único problema no local é a falta de estrutura. Não há restaurante, apenas vendedores de pipoca, picolé, salgadinhos e cerveja. Vale levar lanche e até marmita, mas cuidado para não deixar rastros de sujeira.

A Cachoeira da Corrente, alimentada pelo Rio Verdinho e com oito metros de queda, se diferencia das demais cachoeiras de Bonito pela estrutura que apresenta. Localizada dentro do clube Bonito Eco-Parque, com 10 hectares destinados a acomodar os visitantes, a estrutura oferece restaurante, área de camping, piscinas naturais para crianças – com 40cm de profundidade– e uma pousada simples.

PERIGO– Apesar de ser uma das cachoeiras mais perigosas do Estado, a Cachoeira do Urubu é bem freqüentada durante os sábados e domingos. A queda d’água totaliza 48m e, para não afastar os visitantes, a organização do parque possui um salva-vidas de plantão. Com oito anos de profissão, Edvaldo de Andrade trabalha, mas também se diverte mostrando suas habilidades de escalar as pedras sem qualquer equipamento e fazendo delas um escorrego de 15 metros.

Para explicar a fama da temível cachoeira, Edvaldo conta que no meio do seu leito, a cachoeira chega a ter 18m de profundidade, com uma correnteza muito forte. O desconhecimento dos visitantes, que mergulham sem saber onde estão as pedras, é outro fator apontado pelo salva-vidas como causa de acidentes.

Para compensar a viagem daqueles que não arriscam a pôr nem o pé perto das águas da Urubu, o governo municipal, em 1994, inaugurou o Parque Urubu. A estrutura montada no local propicia um divertimento barato e bom. Os oito bares em forma de círculo oferecem refeições e petiscos, desde carne-de-sol com macaxeira, a agulhas fritas, por exemplo.

Além da gastronomia, o que mais chama atenção no parque são as quatro piscinas naturais para crianças e adultos. As águas geladas são oriundas das várias nascentes existentes na região e estão sempre renovando as águas. “É a primeira vez que venho a Cachoeira do Urubu e não sabia que existia parque assim em Pernambuco. Até minha filha de 6 meses está tomando banho, porque sei que a água é limpa e não possui uma gota sequer de cloro”, afirma Tarciana Medeiros.

PIQUENIQUE – A Cachoeira do Mukem, antiga Cachoeira do Convento, serve como palco para prestigiar a lua cheia. O local é bastante conhecido, por vários motivos: é o único do gênero que abriga shows de sanfoneiros, é ponto de parada para aqueles que estão fazendo trilhas e pela suas águas calmas.

Nessa época do ano, a cachoeira tem um atrativo a mais: parte das pedras ficam fora d’água, o que incentiva as pessoas a realizarem piqueniques e, à noite, luais. Outro local bastante visitado é a Cachoeira Banho da Cerveja, na cidade de Cortês, que se prepara para ganhar nova estrutura.

Atualmente, o espaço conta com três bares, campo para futebol, estacionamento e duas piscinas naturais. A modificação irá ocorrer nos próximos meses quando o projeto desenvolvido pelos alunos da Universidade Federal de Pernambuco, para a construção de concha acústica, toboáguas, quadras poliesportivas e camarotes ficar pronto.

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Jornal do Commercio
Recife - 23.03.2001
Sexta-feira