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COMPORTAMENTO PEQUENAS CORRUPÇÕES Psicanalistas brasileiros e americanos avaliam os efeitos da negociação diária entre pais e filhos e alertam para os desvios morais que podem ser levados para a vida adulta por MARCIA CEZIMBRA
Ao analisar os desenhos de crianças que freqüentaram o seu consultório em 31 anos de experiência clínica, o psiquiatra Alfredo de Castro Neto constatou que 25% delas, perturbadas por situações de estresse familiar como separações, foram vítimas de pequenas corrupções, mentiras e chantagens dos pais. Ele cita o exemplo de uma mãe que levou para a consulta o filho que, segundo ela, mentia demais. Ao final da sessão, ela me pediu um atestado médico. Disse que faltou muitos dias ao trabalho por outros motivos e que precisava de uma boa justificativa para o chefe. Ficou clara a origem do comportamento da criança. Se a mãe é tão mentirosa, como a criança vai aprender a falar a verdade?, pergunta. Fora do consultório, Castro Neto constata atitudes questionáveis também no cotidiano. Vejo com freqüência, num clube, por exemplo, o pai que quer roubar no jogo de futebol para favorecer o time do filho. Parece um pai protetor, mas, na verdade, está ele comprometendo o aprendizado da ética pela criança, alerta. EXEMPLO O americano Robert Coles, psicanalista da Harvard Medical School e autor do livro Inteligência moral das crianças (Editora Campus), também alerta que a integridade ética do adulto começa a ser construída na família. Os pais são os mestres da ética na formação dos filhos. A criança é uma testemunha atenta da moralidade dos adultos ou de sua ausência. Ela busca sugestões de como se comportar e as encontra quando os pais fazem opções, mostrando, na prática, seus valores e suas opiniões. Coles amplia, na direção da ética, o conceito de inteligência múltipla de outro professor de Harvard, Howard Gardner, autor de Molduras da mente. Para Gardner, há disparidades entre caráter e intelecto que, segundo Coles, podem se integrar nos tipos de inteligência moral. As experiências provam que as crianças aprendem em casa a ser solidárias. Esse aprendizado resulta do dia-a-dia e é sinal de inteligência moral. |
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