A jornalista Cátia Moraes defende, em seu novo livro, que a supermulher seja aposentada e que volte a ser mais feminina e voltada para o lar
Agência Globo
Uma xícara de chá de feminilidade, uma de ternura e outra de doçura. Adicione a essa mistura pitadas de sedução. Essa poderia ser, digamos, a receita de uma mulher que derruba por terra o mito da supermulher – mãe, esposa, dona de casa e profissional brilhantes – que, de repente, se viu cansada de tantas atribuições e brigando com o homem, no campo profissional e no pessoal. E que caminho a mulher de hoje tenta encontrar?
“Ela quer redescobrir o prazer de acompanhar o filho; de ficar em casa, quando é possível; de exercitar a liberdade. As qualidades femininas estão gritando dentro dela e querendo sair de novo”, afirma a jornalista Cátia Moraes, que traz ao mercado seu livro Absolvendo a Cinderela – ou o direito de voltar a ser mulher (Editora Mauad).
No livro, a autora relata casos de mulheres que buscam esse caminho. Fala sobre o dia-a-dia feminino e ilustra com trocas de e-mails entre quatro amigas sobre o assunto que está sendo discutido naquele momento. Entrevista a roteirista de TV Maria Carmem Barbosa, a atriz Betty Faria, a atriz e roteirista Patrícia Travassos, a apresentadora de TV Sônia Francine e outras mulheres que preferiram manter o anonimato.
“A absolvição da Cinderela é um longo caminho em busca do que queremos hoje. O que aconteceu com as mulheres é que elas precisavam brigar pelo que haviam conquistado e usaram as mesmas armas do homem: empinaram o nariz, amarraram a cara e até o figurino mudou”, afirma.
Em Absolvendo a Cinderela, Cátia analisa, ainda, os dez mandamentos da mulher moderna (veja quadro acima). E diz que os depoimentos colhidos provam que os homens estão assustados com essa história de supermulher, mulher moderna ou outro clichê qualquer. Por isso, sugere que está na hora de a mulher se desarmar, tirar o revólver do coldre. E cita o depoimento da roteirista Maria Carmem Barbosa como prova do que diz.
“Tivemos que criar um amor muito grande por nós mesmas e um ódio pelos homens para sobreviver e nos afirmar. A gente ficou com medo das coisas mais simples da vida. Agora chega. É hora de perdoar, abrir o coração.”, teoriza.
Mesmo com fama de brigona, somente a partir da maternidade, aos 30 anos, sentiu as mudanças acontecendo dentro dela, e pouco antes dos 40 resolveu dar um basta e se perguntar: “É isso que eu quero para mim?”.
“E descobri que não. A maternidade é um divisor de águas na vida de uma mulher. Já fui patrulha e por isso hoje tenho profunda irritação por ela. A mulher tem que ficar ao lado de seu filho, sim. A solução não é voltar para casa, a não ser que este seja o desejo da mulher e que deve ser respeitado, mas sermos sinceras conosco. Já ouviu coisa pior do que ‘não importa a quantidade de horas que você passa com seu filho, mas a qualidade da relação?’ É balela!”, alerta.
No fim do livro, Cátia escreve uma bem-humorada carta de intenções da moderna estressada, onde encontram-se declarações do tipo: “Eu quero é relaxar. Mulher moderna é politicamente correta demais. Decidida demais. Forte demais. Tudo demais.”