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DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS
Programar em Linux fica mais fácil

Kylix permite aos desenvolvedores criar programas com muito mais rapidez. Compatibilidade com o Delphi deve ser um dos trunfos de comercialização

por BRUNA CABRAL
bruna@jc.com.br

Agora vai ficar mais fácil desenvolver aplicações para Linux. A Borland Inprise Corporation acaba de lançar no Brasil o Kylix, ferramenta destinada aos desenvolvedores adeptos do pingüim. Na próxima semana, o produto deverá chegar ao mercado em duas versões: Server e Desktop. A primeira oferece mais recursos, como suporte aos bancos de dados corporativos Oracle e IBM e wizards para a construção de aplicativos Web, utilizando servidor Apache.

Primeira ferrramenta RAD gráfica para Linux, o produto promete facilitar – e muito – a vida dos desenvolvedores, que poderão, enfim, deixar de lado o método ‘manual’ de criação de softwares compatíveis com a plataforma free, apelidado de desenvolvimento ‘na unha’. Mas noites de sono tranqüilas não são o único benefício que o produto traz para esses profissionais. Além da praticidade, outros pontos altos do Kylix são a compatibilidade e a semelhança com o Delphi. “Qualquer aplicação, seja ela WAP ou um simples game, criada a partir do Kylix, pode ter seu código fonte compilado para Delphi e vice-versa”, garante o gerente de projetos da empresa, Dormevilly Tertius.

E a compatibilidade se estende até aos aspectos visual e funcional das duas ferramentas. “Os programas são tão parecidos que qualquer programador pode migrar facilmente de um para outro, sem ter que se submeter a qualquer tipo de treinamento”, diz Tertius. Segundo o técnico, o relacionamento ‘amigável’ entre os dois softwares irá munir as softwarehouses de um trunfo a mais: a bipolaridade. Ou seja, cada solução desenvolvida poderá ser compatível tanto com Linux quanto com Windows. O Delphi 5 é 80% compatível com Kylix. Já a sexta versão, que deve ser lançada entre abril e junho, terá 100% de compatibilidade.

A expectativa da empresa com relação ao volume de vendas do software é de que pelo menos 300 mil unidades do produto sejam comercializadas no País. O número é três vezes maior que o total de ‘caixinhas’ do Delphi 5 vendidas até agora em todo o território nacional.

Mas o otimismo não pára por aí. “Esperamos também que o volume de vendas do Delphi cresça”, afirmou Dormevilly Tertius. Por quê? A Borland espera ‘roubar’ uma fatia de usuários do Visual Basic, software de desenvolvimento da Microsoft, devido à compatibilidade entre o Delphi e o Kylix.

Se depender da quantidade de empresas estatais interessadas em aderir à plataforma free, não faltarão clientes para a nova solução. Em Pernambuco, várias corporações como Emprel, Chesf, Procenge, Fisepe, TIM e Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar) já cederam aos encantos do pingüim, instalando o Linux em parte de suas máquinas. Já o governo municipal vai mais longe: uma lei determina a migração para softwares gratuitos quando houver disponibilidade. O Governo Estadual também busca formas de inserir seus sistemas no mundo free.

Se até algum tempo atrás isso não seria possível, devido à falta de programas compatíveis com Linux, hoje a realidade é bem diferente, segundo Tertius. “Entre 99 e 2001, o número de soluções tecnológicas disponíveis para a platarfoma cresceu 300%”, afirma o técnico. E esse não foi o único avanço da ‘comunidade Linux’. “Em março de 99, o IDC divulgou uma projeção de que no ano 2003 o número de distribuições do programa vendido será três vezes maior que as vendas de todos os outros sistemas operacionais juntos”, aponta Tertius.

As versões Server e Desktop do Kylix custam, respectivamente, US$ 1.999 e US$ 999. Nos próximos 60 dias, também será lançada uma versão gratuita – e limitada, vale ressaltar – do produto. O software estará disponível para download na página da Borland.

Serviço

www.borland.com.br

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Jornal do Commercio
Recife - 28.03.2001
Quarta-feira