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Lance Livre
Fernando Menezes

Pobre futebol brasileiro

A derrota do Brasil, ontem, em Quito, só é surpreendente para os que não estão acompanhando nosso futebol, ou para os que colocam a patriotada à frente da realidade. Já vão longe os tempos em que nossa seleção, só com as camisas, só pela força da tradição, ganhava com os pés nas costas de todo o resto da América do Sul, exceto Argentina, Uruguai e Paraguai. Não temos mais o melhor futebol do mundo, e dificilmente voltaremos a ter se seguirmos submetidos a essa corrosiva desordem que se chama CBF. Futebol é um esporte coletivo, então, é óbvio, para jogá-lo com objetividade é preciso formar um conjunto. E não se forma um conjunto trabalhando com o grupo dois dias antes dos compromissos. Por isso não me queixo de Leão, para mim ele não faz qualquer diferença, é o mesmo que Luxemburgo ou qualquer outro. O que nos falta é calendário e seriedade. Mas isso não quer dizer que Leão não erra, claro que erra, ontem mesmo fez mudanças absolutamente inócuas. Que diferença fez trocar um lateral-esquerdo por outro?

Do jogo propriamente dito é bom não esquecer que o placar poderia ter sido um empate. O Brasil, mesmo jogando mal, teve pelo menos duas chances claras. O Equador, além do gol que marcou, teve igualmente outra chance. O resto se passou rigorosamente no meio-de-campo, com uma sonolenta troca de passes para os lados ou a irritante tentativa de entregar a bola, como fazem os carteiros, a domicilio. Não se viu um único passe em profundidade, aliás houve um único, na metade do primeiro tempo e para Romário, que o desperdiçou ao perder o domínio da bola, ele deu um toque muito forte para se livrar do goleiro. E nada mais aconteceu e nem vai acontecer enquanto não houver tempo para treinar. Não me espanta se Leão cair do comando, é sempre assim, não se fazem as correções na base do problema, o que se faz é dar uma satisfação ao torcedor demitindo o treinador. Repito que Leão não está fazendo nada diferente de todos os outros. E não custa repetir: só o Brasil muda o time a cada jogo. Sem falar na Argentina, Equador e até a Venezuela trabalham o mesmo grupo faz um bom tempo. Pensem nisso!

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Jornal do Commercio
Recife - 29.03.2001
Quinta-feira