A bancada petista na Câmara do Recife entrou em consenso. Os cinco vereadores da legenda acreditam não haver mais espaço para as consecutivas críticas feitas pelo governo João Paulo (PT) à administração do ex-prefeito Roberto Magalhães (PFL). De acordo com esses parlamentares, as críticas e denúncias dirigidas à gestão anterior não devem ser totalmente descartadas, mas os vereadores do Partido dos Trabalhadores preferem apostar no quesito ‘trabalho’ para enfrentar a oposição. “O que passou passou. Agora, o nosso lema é ação”, declarou Henrique Leite (PT).
A última acusação, feita pelo atual secretário de Finanças, Reginaldo Muniz, aponta um gasto excedente de meio percentual (0,5%) com setores terceirizados, no ano passado, ultrapassando o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Para Muniz, a administração pefelista pecou ao burlar a Lei. O petista e presidente da Câmara, Dilson Peixoto, diz que os principais questionamentos e as denúncias necessárias já foram feitas e que, agora, o Governo Municipal precisa se dedicar apenas às suas responsabilidades. “Eu já falei com o João Paulo que é preciso deixar de lado as acusações e só trabalhar”, declarou o presidente.
O principal receio dos vereadores é tornar o discurso cansativo. Ainda mais que João Paulo está prestes a completar cem dias de mandato. O lider do Governo na Câmara, Jurandir Liberal (PT), justifica a quantidade de críticas afirmando ser este um reflexo das provocações do bloco oposicionista. “Nossas críticas são fruto da postura agressiva de muitos membros da oposição, que não reconhecem o que já fizemos”, disse.
Já a oposição reforça a tese de que as alusões feitas a Roberto Magalhães são subterfúgios encontrados para “mascarar” falhas na atual gestão. “Quem não tem o que fazer, tem muito o que falar”, alfinetou o vereador José Neves (PMDB), e um dos principais escudeiros do ex-prefeito durante a campanha do ano passado..