LG_jc.gif (3670 bytes)

ILHA DE MASSANGANO VII
Pesquisadores se dividem quanto às origens do folguedo

Se os moradores mais antigos da Ilha de Massangano não sabem a origem do samba de véio, os pesquisadores do samba também não se entendem quando tentam explicar da manifestação. As teorias: ele nasceu com os negros escravos que se refugiaram nos quilombos, do outro lado do rio, tendo os seus descendentes, com o tempo, migrado para ilha, ou com os índios cariris que habitavam o alto Sertão pernambucano, muito antes dos portugueses que aqui chegaram. Para o pesquisador pernambucano Benedito Bernardo Alves Filho, que diz ter pesquisado mais de 100 documentos sobre o assunto, a tese mais plausível é a dos índios cariris. "Eles cantavam suas toadas no Sambahó que Batista Siqueira explica ser a festa onde os índios comiam o cágado e bebiam o vinho da quixaba. E você sabe como é cágado no idioma cariri? Samba. Por aí se vê as origens da palavra", explica.

A pesquisadora baiana Maria Isabel Pontes estuda há mais de 20 anos os folguedos populares na Bahia. Na sua opinião, a influência do índio não foi assim tão decisiva quanto afirma Bernardo Alves. "O negro que chegou à Bahia invadiu o interior, rumo ao São Francisco, e lá formou quilombos, migrando para outras partes do rio, inclusive, as ilhas. O elemento do batuque com o couro também é outro indício muito forte da influência negra no samba". Para ela, o que aconteceu do lado pernambucano do rio não necessariamente aconteceu na Bahia, onde os negros escravos seguiram caminhos diferentes. Tanto que o samba de véio tem muitas características semelhantes, tanto na música quanto na dança. "A única diferença é que, aqui, se toca com latas velhas de óleo, e na ilha, o pessoal usa um tamborete feito com couro de bode", ressalta.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 29.03.2001
Quinta-feira