Segundo o chefe da Polícia Civil do Rio, laudo do IML que apontou enfarte como causa da morte da roqueira é conclusivo. Resultado dos exames, no entanto, recebeu críticas
RIO – O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, disse ontem que estão encerradas as investigações sobre a causa da morte de Cássia Eller. Para ele, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) do Rio indicando que Cássia morreu de enfarte é conclusivo. O laudo aponta que o enfarte resultou das sucessivas paradas cardiorrespiratórias (quatro, segundo médicos que atenderam Cássia).
Não está esclarecida, porém, a causa da primeira parada, pois os peritos afirmam que não têm elementos suficientes para determiná-la. Lins disse que, como o exame de drogas e álcool deu negativo, não há mais discussão sobre o que levou Cássia à morte.
“Esse laudo é inconclusivo. Trata apenas da causa da morte imediata”, avalia o médico-legista Talvane de Moraes, ex-diretor do Departamento de Polícia Técnica, que abrange o IML. Já o diretor do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras, Carlos Scherr, confirmou que o uso contínuo de drogas poderia gerar o enfarte numa mulher jovem, mas disse que o comportamento de Cássia ao chegar à Clínica Santa Maria não era o de uma paciente enfartada.
“Ela até pode ter enfartado depois das paradas cardíacas, mas tem algo a mais, mesmo que seja um distúrbio psicológico que a levou àquele estado de excitação”, disse Scherr. Talvane de Moraes discordou das explicações da diretora do IML-RJ, Sílvia Falcão, segundo quem as drogas seriam identificadas no exame toxicológico mesmo que tivessem sido metabolizadas no organismo. “A cocaína some em seis horas e poderia ter sido processada pelo organismo durante o tratamento na clínica. E não aparece no exame toxicológico.”
O delegado Álvaro Lins pôs à disposição da Justiça material para realização de uma contraprova do exame. A companheira de Cássia, Maria Eugênia, 40 anos, disse que não vê problemas na realização de uma contraprova, mas é contra a exumação do corpo.