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MÚSICA ERUDITA Wagner faz apologia do amor de pai
por PAULO SÉRGIO SCARPA
A Cavalgada das Valquírias, prelúdio que abre o terceiro ato da ópera As Valquírias, de Richard Wagner (1813-1883), foi sempre mais conhecida que a ópera, apesar de ela ser a segunda parte da monumental tetralogia O Anel dos Nibelungos, conjunto que revolucionou a música no século 20. Sob a regência de Pierre Boulez e direção artística de Patrice Chéreau, porém, esta produção de 1976 de As Valquírias - lançada em DVD (Philips) - é vista ainda como a mais iluminada, significativa e provocante das produções de óperas de Wagner dos últimos 50 anos.
Coro e orquestra do Festival de Bayreuth, no entanto, demonstram que O Anel dos Nibelungos foi criado para ser um grande poema sinfônico (são dezoito horas de gravação da tetralogia), com vozes e instrumentos interligando-se para contar a saga germânica da luta entre deuses e homens e da prevalência dos homens sobre os deuses. Em As Valquírias, porém, Wagner traça o mais completo perfil psicológico dos deuses ao colocar Wotan, o deus dos deuses, num dos mais belos duetos de amor com a filha Brünnhilde, a chefe das valquírias, no final do 3º ato.
Wagner encerra a ópera com Wotan punindo Brünnhilde: ele a faz dormir no meio de um círculo de fogo com a maldição de somente ser despertada por um homem que desconheça o medo. Tudo porque a valquíria salvou a mãe de Siegfried, filho do amor incestuoso dos filhos de Wotan (Sigmundo e Siglinda), o mesmo que irá dar alegria, juventude e redenção à humanidade e despertará Brünnhilde. Um prenúncio do fim da eternidade dos deuses.
O Anel dos Nibelungos é formado por quatro óperas: O Ouro do Reno, o prelúdio que abre a tetralogia; As Valquírias; Siegfried e O Crepúsculo dos Deus. Wagner concebeu a tetralogia para ser apresentada em dias seguidos, tarefa que somente o Festival de Beyreuth, na Alemanha, consegue fazer anualmente. O teatro foi concebido por Wagner para celebrar sua obra.
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