Os servidores públicos federais em Pernambuco tiveram uma surpresa, ontem, quando receberam os contracheques de janeiro. Segundo diretores do Sindicato dos Servidores Federais de Pernambuco (Sindsep), nem todos os funcionários que foram pagos ontem receberam a correção salarial de 3,17% devida pela União pela não-correção integral dos salários quando da conversão da unidade real de valor (URV) para o real, entre 1994 e 1995.
Já o reajuste salarial de 3,5%, entretanto, constava corretamente nos contracheques embora o percentual seja considerado mínimo pelos servidores. Homero Mendes, advogado do Sindsep, informou que recebeu diversos telefonemas de funcionários públicos denunciando a falta da correção de 3,17%. As reclamações vieram de servidores da Funai, da Fundação Nacional de Saúde e do Incra.
Um dos diretores do Sindsep e funcionário do Ministério de Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, Fernando Gonçalves informou que cerca de 70% dos funcionários de nível auxiliar e intermediário receberam a correção de 3,17%. Mas Gonçalves conta que os pensionistas e pessoal de nível superior do Ministério não foram beneficiados.
Além dessa falha no pagamento, existem servidores que já tinham ganho na Justiça o direito de receber a correção de 3,17% e no salário de janeiro foram beneficiados novamente. Foi o que aconteceu com José Carlos de Oliveira, funcionário do Ministério do Trabalho. José Carlos explica que ele e um grupo de mais de 350 pessoas já tinham recebido os 3,17% no ano passado. No contracheque de janeiro, José Carlos percebeu que foi beneficiado novamente, mas não sabe dizer quanto aos seus colegas.
A assessoria de Imprensa do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão explicou que tanto o reajuste de 3,5% quanto a dívida de 3,17% foram pagas no contracheque de janeiro. Ela orientou os funcionários que se sentiram prejudicados ou perceberam qualquer falha no pagamento a procurar o departamento de Recursos Humanos dos seus órgãos de origem.
Embora o Governo tenha recuado judicialmente e aceito pagar os 3,17% aos servidores públicos, a categoria permanece com ações na Justiça para ter o direito de receber a correção retroativamente.