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Um banco social

Entre os pontos positivos do atual Governo Federal, pode-se somar certamente a interiorização dos serviços da Caixa Econômica Federal (CEF ou simplesmente Caixa). Historicamente, ela se concentrou nas principais capitais dos Estados e outros grandes centros urbanos, parecendo mais uma repartição pública convencional, sem dinamismo. A partir dos anos 70, no bojo do chamado ‘milagre econômico’, assumiu o caráter de banco estatal voltado para o social, permanecendo o Banco do Brasil voltado para o econômico e atividades bancárias normais. Mais tarde, nos anos 80, o BNDES ganhou uma banda social, para grandes projetos de desenvolvimento. Nos anos 90, a CEF foi diversificando suas atividades, atuando em todos os segmentos bancários, e multiplicando seus correntistas, poupadores e mutuários do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Com a extinção do Banco Nacional da Habitação (BNH), herdou suas agências e incumbências.

Nos últimos anos, atua com todos os serviços de um banco comum e reviu sua concepção de administração gerencial, dinamizando e modernizando as gerências regionais, e partindo para a terceirização de alguns serviços e a interiorização das agências. A falência virtual e a extinção dos bancos estaduais criaram um vazio a ser preenchido. Esse tipo de banco, com raras exceções, tornou-se um modismo nos anos 70, funcionando mais como uma espécie de caixa-2 dos governos estaduais e servindo a várias empreitadas de corrupção. Com o fechamento das muitas agências desses bancos, as pequenas cidades do interior se viram privadas das únicas agências bancárias que atendiam aos sertões e grotões deste imenso país, onde não há interesse para a rede bancária privada. A CEF percebeu aí, então, uma oportunidade de expansão de sua oferta de serviços bancários e de incremento a sua destinação social.

A terceirização de serviços está sendo um sucesso. Hoje, num posto lotérico, pode-se, por exemplo, pagar contas de energia, telefone e outras. Além disso, a Caixa começou a espalhar, por municípios distantes e de difícil acesso, os chamados correspondentes bancários, estabelecimentos comerciais autorizados a realizar transações bancárias e pagar benefícios sociais, como aposentadorias, bolsa-escola etc. É a rede Caixa Aqui, que está levando terminal de computador e até antena parabólica a cerca de 2 mil municípios brasileiros que não possuem agência desse banco nem casa lotérica. Os primeiros municípios beneficiados foram Solidão, em Pernambuco, e Normandia, em Roraima. A rede constitui importante contribuição à proteção social que leva benefícios como os do INSS aos mais desprotegidos locais do país. A meta da Caixa é chegar ao fim deste primeiro semestre do ano com pelo menos um ponto de atendimento em todos os municípios sem banco.

A farra dos bancos estaduais não foi nada positiva. Mas, um trabalho como o que a CEF está realizando, para atender aos brasileiros que estão entre os mais pobres, é muito construtivo e merece o aplauso de todos. Melhor ainda seria que a rede financeira do poder público tomasse distância da política partidária e se tornasse cada vez mais pública e menos estatal. Pois pode acontecer que uma nova administração mude de idéia e decida que a CEF não deve ser mais um banco social, mas um banco puramente de resultados; o que extinguiria avanços como os da rede Caixa Aqui, com sua terceirização e interiorização, seu reforço à proteção social, sua ação pioneira e progressista nos mais longínquos rincões da nossa Pátria. Não devemos esquecer também a importância da sua nova concepção de estabelecimento eficazmente atuante nos diversos segmentos bancários, o que lhe dá respaldo para seu trabalho social.


Jornal do Commercio
Recife - 02.02.2002
Sábado