Não faltam exemplos de famosos que entraram em crise quando estiveram sob a luz dos holofotes. O namoradinho do Brasil de Anos Dourados passou maus bocados quando virou o namoradão da musa Vera Fischer. Felipe Camargo só conseguiu dar a volta por cima ao procurar ajuda médica para se livrar do alcoolismo. A atriz Adriana Esteves ficou dois anos sem dar as caras na tela porque teve síndrome do pânico bem no período em que foi arrasada pela crítica ao virar protagonista de Renascer. Já a atriz Lídia Brondi nunca mais voltou à TV depois de também ter tido a síndrome.
O sucesso costuma fazer as pessoas perderem suas auto-referências. Para a psicanalista Eliana Helsinger, o que faz a vida de uma pessoa é sua trajetória. Ao cortar os laços com o passado, ou por achar que as pessoas só se aproximam por interesse ou por não se entender mais – não saber mais quem é –, a pessoa acaba perdendo suas referências.
“O sucesso faz com que a pessoa perca seu centro. O sistema dá o sucesso, mas transforma isso num pacto com o diabo. Quem faz sucesso deve lutar contra isso, manter um distanciamento, encarar seu lado famoso como um personagem. Ninguém é só uma profissão. A pessoa não pode perder a vida própria”, diz a psicanalista.
A atriz Cláudia Jimenez conheceu o inferno e o paraíso da fama. “Os próprios amigos mudam e passam a achar que você já tem tudo. Acabam se afastando”, diz. Ela segue à risca o conselho da psicanalista e garante que sua família vem em primeiro lugar. Mas diz que pagou um preço alto pelo sucesso. “Tenho cinco pontes de safena e essa não é uma doença para mim. É para diretor de empresa. Mas pus minha cara à tapa, ouvi muita coisa que não gostei, fui à luta. O preço foi esse”, diz a atriz, que lembra-se do momento mais estressante da sua carreira. “Na época do Sai de Baixo, quando fui demitida por reclamar do texto, inventaram que bati na camareira, a imprensa me massacrou. A repercussão foi imensa porque a Edileusa (personagem da atriz no programa) era um sucesso”, avalia.
Que o sucesso lhe roubou alguns programas, isso ela não nega: praia, coisa que adora, nem pensar. Freqüentar feirinha de artesanato também está fora dos planos. “É uma multidão correndo atrás de você, com maquininha fotográfica. Até no enterro do meu pai me pediram autógrafo”, reclama.
Os relacionamentos por interesse e o distanciamento dos amigos também são motivos de reclamação. “Tem o primo distante que quer que você resolva a vida dele. Pede de apartamento a trailer para vender cachorro-quente. Muitos amigos também se afastam, acham que você não precisa mais deles. Mas eu quero continuar sendo chamada para comer pizza no Méier”, garante a atriz.
Ferrugem diz ter a fórmula para não fazer do sucesso profissional um pesadelo. “Basta encontrar tempo para a vida privada”, acredita. O jogador de basquete Oscar vem conseguindo conviver bem com os 30 anos de fama. “Mais difícil do que fazer sucesso é se manter em evidência, se manter no topo. Aí entram não apenas a qualidade e o talento do famoso, aquilo que o tornou famoso, mas também a forma de pensar, a conduta e o caráter”, diz Oscar.
O lateral-esquerdo Roberto Carlos diz dar valor ao relacionamento com os fãs, que para muitos é um calvário. “Se tem uma coisa que eu prezo muito no meu dia-a-dia é o convívio com os torcedores. Muitos jogadores dão de ombros, passam direto, não dão autógrafos, um sorriso, nada, como se aquelas pessoas estivessem ali para atrapalhar ou pedindo algo absurdo. Faço questão de parar por alguns minutos, dar um autógrafo, para tentar retribuir o carinho”, conta.
Para o psicanalista Chaim Katz, o sucesso força uma reorganização da vida. “Freud dizia que o sucesso significa superar os pais. Ou seja, sair da linhagem do pai e da mãe. O filho passa a ser reconhecido por sua obra. Quem faz sucesso passa a ter uma nova gama de relações sociais, começa a lidar com outras pessoas. Tornar-se público é às vezes um problema. Recorrer ao álcool e às drogas acaba sendo a saída parcial”, analisa.
Eliana Helsinger defende que se busque ajuda de um profissional quando o sucesso subir à cabeça. “Se a pessoa tem uma boa estrutura familiar, ela vai conseguir lidar bem com o preço do sucesso. Mas se não tem e se a fama estiver mudando muito a vida, pode-se tentar obter ajuda. O sucesso foi feito para que se possa rir dele.