Tecnologia GSM/GPRS vai permitir envio de e-mails e transmissão de vídeos em alta velocidade pelo celular. Primeira a anunciar serviço é a Oi
por MONA LISA DOURADO
mldourado@jc.com.br
Acessar informações e serviços na Internet através do celular. Se essa promessa logo lhe faz lembrar do WAP (wireless application protocol) e de seus decepcionantes resultados (leia-se lentidão e alto custo), esqueça todos os traumas com as ineficientes aplicações sem fio vistas até agora.
Uma nova tecnologia de navegação na Internet por meio de dispositivos móveis chega ao Recife em abril através da Oi, braço de telefonia celular da Telemar, propondo-se a trazer finalmente todos os benefícios da Rede para o bolso dos usuários. E o que é melhor: com extrema rapidez e em tempo integral. Trata-se da geração 2,5 (lê-se dois e meio) de telefonia móvel, que permitirá conectar o aparelho celular ou PDA 24 horas por dia à Internet e com velocidade de até 144 Kbps, ou 10 vezes maior do que a alcançada atualmente, entre outros avanços.
Na prática, com essas altas taxas de transmissão de dados será possível enviar e receber e-mails, transmitir vídeos, fotos e até música através do aparelho celular, realizar download de ícones animados e participar de chats, jogos compartilhados e karaokês baseados em ringtones, além de receber propaganda ou saber notícias sobre o trânsito a partir de sistemas de localização.
Outra vantagem da 2,5G em relação ao acesso discado do protocolo WAP é a forma de cobrança, que deve diminuir um bocado os custos de navegação pelo celular. Conforme o novo modelo, em vez de pagar pelo tempo em que permanece conectado, o usuário só assume as despesas referentes à quantidade de pacotes de dados transferidos em kilobyte, isto é, ao que é enviado ou recebido.
A primeira cidade do País a ser contemplada com a tecnologia foi São Paulo, onde a Telesp Celular estreou no início de dezembro a nova geração de Internet móvel, com a instalação da rede CDMA 1XRTT, evolução da rede CDMA em funcionamento no Sudeste.
Para se ter uma idéia da economia que a 2,5G representa, a Telesp está cobrando em seu plano avulso de acesso R$ 0,02 (dois centavos) para cada KB consumido. Isso significa que, para ler um e-mail de 3,5 KB pelo celular, por exemplo, o cliente só pagaria R$ 0,07. Já para participar de um chat durante 10 minutos, atividade que consumiria 79 KB, seria necessário desembolsar R$ 1,58. Pelo serviço WAP no Nordeste, realizar a mesma tarefa durante período equivalente não sairia por menos de R$ 5 pelo plano básico.
Segundo o professor de engenharia elétrica e consultor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Marcelo Alencar, diferentemente de São Paulo, no Nordeste e em boa parte do restante do País, que hoje utiliza rede TDMA, o sistema a ser implementado para fornecimento de serviços de 2,5G será o europeu GSM (Global System for Mobile Telecommunications) associado ao GPRS (General Packet Radio Service). Utilizados há 11 anos na Europa, ambos são padrões predominantes no mundo, com presença em 141 países e mais de 400 milhões de usuários.
MIGRAÇÃO – Todas essas mudanças fazem parte da proposta da Anatel de migração do Sistema Móvel Celular (SMC) para o Sistema Móvel Pessoal (SMP). O primeiro corresponde às bandas A e B e sua freqüência fica entre 800 MHz e 900 MHz, enquanto o segundo corresponderia às bandas C, D e E, que operam em torno de 1,8 GHz.
Na opinião de Marcelo Alencar, o maior diferencial da dobradinha GSM/GPRS é a possibilidade de fazer roaming internacional, através de cartões de identificação denominados de SIM Cards. “Com esses cartões, a pessoa poderá transferir automaticamente o número da linha, bem como outras informações gravadas no celular, para qualquer aparelho GSM do mundo. Em vez de mobilidade de equipamentos, teremos mobilidade de pessoas”, explica.
Em contrapartida, para fazer jus a todas as potencialidades conferidas pela conexão permanente à Web, alta velocidade e cobrança por quantidade de dados transmitidos da geração 2,5G, será preciso criar conteúdo adequado para essa nova fase da Internet móvel. Até porque o usuário terá que trocar de aparelho celular para desfrutar de todos os recursos. E, afinal, de que adianta navegar a 144 Kbps, se não há por onde navegar?
De acordo com o gerente de projetos do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Haim Mesel, as operadoras sozinhas não terão fôlego para criar toda a gama de aplicativos necessária à popularização da tecnologia. “Será preciso firmar parcerias para desenvolver conteúdos, e instituições como o Cesar, que já trabalha há mais de um ano com aplicações em Java para celulares GSM, ficarão com esse papel”, afirma, prevendo uma movimentação bastante positiva no mercado de serviços.
TRANSIÇÃO – Como a própria denominação indica, a 2,5G é apenas uma transição entre a tecnologia de segunda e a de terceira geração, essa sim considerada um verdadeiro divisor de águas na história da telefonia móvel mundial, pelos recursos inéditos que oferecerá, a exemplo de download e edição de música e vídeo a supreendentes 2 Mbps de velocidade.
Por enquanto, o Japão, através da operadora NTT DoCoMo, é o único a testar a tecnologia. No Brasil, estima-se que a 3G não chegue a provocar migração em massa antes de 2005. Num País que, em grande parte, só está acostumado a utilizar o celular como ferramenta de comunicação de voz, resta saber se até lá haverá usuários suficientes que justifiquem o investimento das empresas na evolução.