BRASÍLIA – Em discurso inflamado na periferia de Brasília, o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), chamou de “crioulo petista” uma pessoa que estava presente no ato de entrega de escrituras de casas populares. Em tom agressivo, Roriz já havia mandado os moradores expulsarem pessoas que se manifestaram contra ele. Em seguida, pediu vaias ao suposto adversário.
“Ali está um crioulo petista que eu quero que vocês dêem uma salva de vaias nele”, disse o governador, que comete freqüentes erros de português. O discurso, feito no final da tarde de ontem durante programação do Governo Itinerante na cidade-satélite de Brazlândia, a 60 quilômetros de Brasília, foi gravado pela rádio CBN.
No início do pronunciamento, Roriz disse que os moradores “deveriam expulsar pessoas que portavam faixas” contra ele, porque elas “são financiadas pelo Governo anterior, prejudicam os moradores de assentamentos e levam o mal”. Antes de Roriz, o Distrito Federal foi governado pelo petista Cristóvam Buarque.
A declaração do governador foi condenada, em nota oficial, pela Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. A nota aconselha ao governador uma retratação pública. O PT entrou com representação na Procuradoria-Geral da República contra Roriz por crime de racismo.
Em outros discursos, o governador já havia dito que “os vermelhos corriam risco de vida”. Na semana passada, os partidos de oposição, motivados pelo assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, levaram esses discursos ao conhecimento do ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, e ao Tribunal Superior Eleitoral.