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CARNAVAL VIII
Blocos tradicionais tentam sobreviver ao caos

por MARCELO ROBALINHO

Nem mesmo a intenção da Prefeitura de Olinda de ordenar a folia de Momo na Cidade Alta está sendo capaz de manter o desfile dos tradicionais blocos carnavalescos da cidade. No ano em que completa 55 anos de existência, a Pitombeira dos Quatro Cantos decidiu não sair neste Carnaval, por ‘simples’ falta de verba. Enquanto isso, o Elefante e o Vassourinhas de Olinda optaram por reduzir o número de passistas e de desfiles. “O problema é que o Carnaval de Olinda não é profissional como se deve. Falta incentivo e planejamento adequado do poder público”, reclama Júlio Silva Filho, presidente da Pitombeira. Para não dizer que fez nada, a troça, fundada por um grupo de rapazes no dia 30 de janeiro de 1947, realizou ontem um arrastão pelas ladeiras de Olinda. “É preciso buscar alternativas para não deixar que os blocos morram”, diz Júlio. Segundo ele, é a segunda vez em 55 anos que a Pitombeira não desfila no Carnaval.

Devido à situação financeira apertada, o Clube Carnavalesco Mixto Vassourinhas decidiu reduzir de 400 para 180 o número de participantes. “O luxo e o brilho das fantasias, no entanto, continuará o mesmo”, garante o presidente da agremiação, Edmar Lopes. Segundo ele, por causa da redução nas subvenções da prefeitura, o bloco só irá sair um dia na Marim dos Caetés. Será às 16h do domingo de Carnaval. O desfile sairá de Guadalupe em direção ao Amparo.

“A partir daí, seja o que Deus quiser e o público permitir”, afirma Edmar, referindo-se diretamente ao problema da grande concentração de pessoas nas ladeiras de Olinda, que, de um tempo para cá, vem inviabilizando o desfile das agremiações. “Parece mais uma multidão de vândalos que só faz atrapalhar o desfile e denegrir a imagem do nosso Carnaval”, dispara o presidente do Vassourinhas.

Mesmo com todos os percalços, o Elefante de Olinda é o que parece mais otimista. Promete, para este Carnaval, enfrentar a Ribeira e as ruas de São Bento e Quinze de Novembro, como fazia há alguns anos, quando a multidão permitia a passagem do bloco. “Se o clima nas ruas estiver bom, vamos voltar com tudo nas ladeiras de Olinda”, assegura João Trindade, presidente do Elefante, que vai desfilar no dia 12, data em que comemora os 50 anos de fundação do bloco, na Cidade Alta e no Recife Antigo.

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Jornal do Commercio
Recife - 31.01.2002
Quinta-feira