Com a volta do projeto sobre o diesel vegetal, o Brasil tenta não perder o compasso na busca por fontes alternativas de combustível menos poluentes. O Brasil poderia ser hoje um dos mais desenvolvidos no mundo sobre a questão. O combustível vegetal é uma descoberta brasileira. Melhor dizendo, nordestina. No período da crise do Petróleo, na década de 70, a Universidade Federal do Ceará desenvolveu pesquisas com o intuito de encontrar fontes alternativas de energia. As experiências acabaram por revelar um novo combustível originário de óleos vegetais e com propriedades semelhantes ao óleo diesel mineral.
Com o envolvimento de outras instituições de pesquisas, da Petrobras e do Ministério da Aeronáutica, foi criado o Prodiesel em 1980. O combustível foi testado por fabricantes de veículos a diesel. A UFCE também desenvolveu o querosene vegetal de aviação para o Ministério da Aeronáutica. Após os testes em aviões a jato, o combustível foi homologado pelo Centro Técnico Aeroespacial.
De acordo com o coordenador do Núcleo de Fontes Não-Convencionais de Energia da UFCE e descobridor do diesel vegetal, Expedito José de Sá Parente, com a estabilização do preço do petróleo e o desinteresse da Petrobras, as atividades de produção experimental do óleo diesel vegetal foram encerradas. “O mesmo não aconteceu em outro países, principalmente na Europa e na América do Norte,” diz Parente.
O pesquisador conta que, em 1990, 10 anos após a sua concepção no Brasil, o Prodiesel foi ressuscitado na Europa com o nome de Biodiesel. Os alemães foram dos que mais avançaram, produzindo o combustível vegetal. Na Alemanha há mais de 600 postos que utilizam o biodiesel misturado ao diesel mineral, que abastece uma frota de 100 mil veículos. Segundo Expedito Parente, a França é hoje a maior produtora mundial do biodiesel.
“O uso do biodiesel misturado com o diesel mineral visa melhorar as emissões dos motores, em especial por meio de eliminação das mercaptanas, substâncias ricas em enxofre, extremamente danosas à saúde dos animais e das plantas”, explica o pesquisador cearense.
COMBUSTÍVEL LIMPO – O combustível é obtido das espécies oleaginosas como o amendoim, dendê, soja, girassol, algodão, babaçu, colza, etc, utilizando-se uma reação química chamada de transesterificação, misturando álcool (metanol ou etanol) e um catalisador, que pode ser o hidróxido de sódio ou de potássio.
A principal vantagem sobre o produto de origem mineral é que o biodiesel vegetal não é poluente, pois não possui enxofre. o pesquisador da UFCE diz que ambos são equivalentes no que se refere à combustão, por isso não necessita de adaptações ou modificações dos motores como ocorre com o gás natural.
Na opinião do pesquisador, seriam muitos os benefícios se o Brasil adotasse o combustível alternativo, principalmente para os veículos de carga e transporte de passageiros. A produção do biodiesel também iria favorecer a questão ambiental e social. “A produção ocuparia grandes contigentes de famílias que vivem em indigência no campo”, enfatiza.