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RELIGIÃO
CNBB lança campanha da Fraternidade amanhã

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança hoje sua 39ª Campanha da Fraternidade (CF), que, pela primeira vez, aborda as comunidades indígenas, que agrupam cerca de 550 mil pessoas no País. O tema A Fraternidade e os Povos Indígenas e o lema Por uma terra sem males são os convites à sociedade para refletir sobre a vida, a história e a resistência dos índios.

“Com esse tema, queremos ressaltar o papel dos povos indígenas nas nossas raízes sociais, culturais, religiosas e políticas. O papel deles é fundamental”, reconhece Dom Antônio Soares Costa, bispo de Caruaru e presidente do Nordeste II da CNBB. No Nordeste II, formado pelos Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte, a CF será lançada oficialmente amanhã, em sua sede, no Recife.

Para Saulo Feitosa, vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), um organismo da CNBB, o tema da CF é um avanço da Igreja, na medida em que se aproxima da leitura dos povos indígenas. “A campanha não quer só convidar a sociedade a refletir, mas também a comprometer-se com a realidade desses povos”, acrescenta.

No Estado, segundo ele, existem oito comunidade indígenas que vivem em conflitos fundiários com posseiros. No ano passado, dos 10 índios assassinados no Brasil, por questões de terra, três eram de Pernambuco (dois xucurus e um trucá.

CAMPANHA - A CF é um processo de evangelização durante a Quaresma, período de 40 dias em que a Igreja propõe aos fiéis o exemplo de vida de Jesus Cristo. É campanha porque se realiza num período determinado, com atividades de formação de consciência e imobilização da caridade dos fiéis. E da fraternamente porque é a forma mais completa de amor ao próximo.

Realiza-se por intermédio de debates, palestras, celebrações, passeatas e outras atividades sobre o tema proposto. A escolha dos temas e lemas é resultado de ampla consulta às paróquias, decisões e regionais da CNBB, confrontada com a caminhada da Igreja em busca da fidelidade à sua missão no mundo.

Foi organizada pela primeira vez em 1962 para tornar autônoma financeiramente a Cartas Brasileira. Financeiramente foi um fracasso, mas a experiência pastoral repercutiu no País. A partir de 1964, a CF tornou-se nacional.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.02.2002
Quarta-feira