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CARNAVAL 2002 IV
Samba sobrevive ao amadorismo

Apesar do improviso e das desavenças internas levadas para a avenida, o desfile das escolas de samba, no centro do Recife, mantém seu público fiel e reúne mais de 3 mil pessoas

Só mesmo o gosto pelo samba justifica a presença de tanta gente (mais de três mil pessoas, segundo cálculos da Associação das Escolas de Samba de Pernambuco) na Avenida Dantas Barreto, na noite de segunda-feira. O amadorismo, o improviso e as desavenças internas trazidas para a avenida – além da falta de recursos – fazem com que o evento tenha menos destaque dentro da programação de Carnaval do Estado.

Este ano, a Associação e a Federação das Escolas de Samba unificaram o desfile, que há alguns vinha sendo realizado em separado pelas duas entidades. A novidade também é a premiação em dinheiro para o primeiro e o segundo lugar do grupo A. Duas escolas do primeiro grupo foram desclassificadas e uma simplesmente não compareceu. A Unidos da Mangueira mandou um ofício para a Federação Carnavalesca comunicando a sua desistência.

As escolas de samba Criança e Adolescente e a Águia Dourada do Jordão não tiveram componentes suficientes para a apresentação. Mesmo sem concorrer, ambas passaram pela avenida. A Samarino foi prejudicada pela disputa interna da diretoria. A maioria dos componentes da escola não compareceu. Mesmo assim, a agremiação entrou na avenida com a bateria e dois carros alegóricos e foi aplaudida pelo público.

A Rebeldes do Samba, que no ano passado fez uma boa exibição, angariou a antipatia do público ao tentar tumultuar o desfile ao não andar com a bateria. A escola já tinha sido desclassificada por atraso. Depois de um bate-boca entre os componentes da agremiação e a comissão organizadora, a bateria se retirou da passarela. Irritado, o presidente da Federação das Escolas de Samba de Pernambuco, Waldeck Mello, disse que era a favor da punição da escola no próximo ano. “Por mim, a Rebeldes está eliminada do desfile de 2003”, falou Mello.

BICAMPEÃ – Com o tema “Pernambuco, Folclore do Samba”, a Limonil, da Vila São Miguel, Afogados, levou para a avenida um bonito desfile, mostrando nas alas a junção dos elementos de vários folguedos populares. Em seguida, a Gigantes do Samba arrancou aplausos com a apresentação do enredo “Canto das três raças”. A Gigantes é bicampeã do Carnaval, pela Associação Carnavalesca de Pernambuco (Aespe) e luta para manter a liderança este ano.

O público já acostumado com o atraso das agremiações esperou com paciência e educação, até a saída da última escola, a Galeria do Ritmo. O desfile da azul e branco empolgou a todos com o tema “Petrolina da Água ao Vinho”, cidade da fruticultura e da irrigação. A escola caprichou nas fantasias de luxo e carros alegóricos e fez, talvez, a melhor exibição da noite.

A azul e branco também colocou na avenida o apelo à paz, soltando pombas e bolas brancas no meio do desfile. Destaque para a bateria afinada e a comissão de frente, que mostrou sincronia nas evoluções e bonitas fantasias que representavam o Deus do Sol, nas cores dourado e vermelho. A apuração para escolha da escola campeã será realizada amanhã, no Pátio de São Pedro, a partir das 10 horas.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.02.2002
Quarta-feira