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CARNAVAL 2002 VI
Nazaré celebra misticismo do maracatu

A irreverência e o escracho deram vez ao misticismo dos maracatus rurais no Carnaval de Nazaré da Mata, Mata Norte de Pernambuco. A cidade, considerada um dos berços do maracatu, parou nos últimos três dias para reverenciar o rico espetáculo de cores, formas e evoluções dos grupos que por lá se apresentaram.

“É diferente de tudo o que já vi e ouvi na minha vida. A música é uma mistura de elementos da cultura dos europeus, dos índios e do negros. Mas é tão especial que não dá para determinar direito”, afirma a musicóloga alemã Catarina Doering, que foi, pela primeira vez, a Nazaré conferir o encontro de maracatus promovido anteontem na cidade. Já para a escultora recifense Leda Jacobovitz, o que mais lhe chamou a atenção foi a indumentária usada pelos caboclos de lança, que com suas guiadas (espécie de lanças) se encarregavam se abrir espaço no meio da multidão durante a apresentação. “É deslumbrante.”

Além da cabeleira, composta por tiras de papel celofane, e da guiada, há a grande gola colorida caprichosamente bordada com missangas, vidrilhos e lantejoulas. Uma beleza, no entanto, que custa caro ao bolso dos brincantes. Eles chegam a gastar R$ 1.500 com a confecção da roupa. “A gente só faz porque gosta realmente”, diz Cosme de Moraes, 35, do Maracatu Leão da Selva.

Segundo os caboclos, tudo no maracatu rural (ou de baque solto) é cercado de religiosidade e misticismo. A cada desfile, entidades protetoras da umbanda são invocadas para propiciar aos brincantes sucesso nas andanças. “Também tomamos um banho de limpeza, com ervas, para ter saúde e agüentar o peso das roupas durante o desfile”, acrescenta Nilton Mariano da Silva, um dos caboclos de lança mais famosos do Maracatu Leão Cultural, de Nazaré da Mata.

Em Nazaré, além dos grupos tradicionais, como Cambinda Brasileira (fundado em 1918), uma das grandes novidades foi o desfile do Maracatu Mirim Sonho de Criança, formado exclusivamente por crianças, como o Savinho Filho, 2 anos, que estreou este ano no maracatu. “Foi ele quem pediu para sair. E, pelo jeito, parece que vai continuar em 2003”, arriscou a mãe Joelma Oliveira.

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Jornal do Commercio
Recife - 13.02.2002
Quarta-feira