No segundo dia de câmbio livre, a moeda norte-americana valia 1,80 peso para compra e 2,00 peso para venda. Na Justiça, várias decisões estão derrubando o decreto que protegia o corralito, sistema que restringe saques
BUENOS AIRES – Pelo segundo dia consecutivo, o comportamento do peso argentino no regime livre de flutuação, quase 11 anos depois de ter ficado atrelado ao dólar, está surpreendendo os mais pessimistas. Na abertura do mercado, ontem, o dólar começou a ser negociado a 1,80 peso para compra e 2,00 pesos para venda, abaixo do fechamento de segunda-feira, quando acabou o dia na média entre 1,85 e 1,90 peso para compra e 2,05 e 2,15 pesos para venda nas casas de câmbio e nos bancos.
As filas em frente às casas de câmbio, principalmente no decorrer da manhã do primeiro dia de flutuação cambial, faziam temer o pior. Mas isso não ocorreu. Ontem pela manhã, o presidente argentino, Eduardo Duhalde, declarou em um programa de rádio que a taxa de câmbio no país cairá a patamares próximos de 1,40 peso, 1,60 peso ou, no máximo 1,70 peso por dólar. Para Duhalde, a estabilidade da moeda, no primeiro dia de mercado unificado e livre de câmbios, é uma “prova da maturidade” dos argentinos.
INCONSTITUCIONAL – A juíza argentina Lilian Heiland considerou inconstitucional o decreto do Governo Duhalde que suspende por 180 dias a possibilidade de apresentação de ações judiciais contra o corralito (medida que restringe os saques bancários). O ponto questionado do decreto 214/02 é o artigo 12, que suspende as ações em trâmite ou execução dos correntistas que pretendem liberar depósitos congelados.
Na última sexta-feira, a juíza Emilia Marta García já havia firmado a primeira decisão no mesmo sentido. Vereditos semelhantes foram obtidos em La Plata e Bahía Blanca.