Psicanalistas afirmam que a maioria das mulheres excessivamente ciumentas revelam insegurança e baixa auto-estima
O que leva uma mulher a viver imaginando-se traída, em vez de usufruir de uma agradável relação amorosa? É um forte sentimento de menor valia, na opinião do psicanalista José Renato Avzaradel. Essa seria a essência do ciúme, um dos sentimentos mais estudados pelos psicanalistas, justamente por sua complexidade. “O ciumento não se considera digno de ser amado. Ele se sente incapaz de suprir as necessidades do outro e daí imagina que o outro procura estas qualidades em outras pessoas”, explica.
A explicação faz sentido, mas, para a mulher de um bonitão, nem sempre faz efeito. Andrea Baricelli, por exemplo, mulher do galã Luigi Baricelli, diz que, com um homem maravilhoso como o seu, é muito difícil não ser ciumenta. “Além de ser lindo, ele é um homem carinhoso, doce e um ótimo pai. Eu morro de ciúmes de meus filhos, Vitório e Lorenzo, por que não posso ter ciúme do meu marido, que é lindo? Tenho sim. E o melhor da história é que ele é lindo, mas é meu”, brinca.
RISCO – A profissão do marido pode favorecer o ataque de ciúmes. Pelo fato de ser dentista, Luiz Tepedino vive com mulheres sorridentes em seu consultório, para aflição da atriz Vanessa Machado. Mas ela não acredita que uma mulher marque uma consulta odontológica só para paquerar o seu marido. “Pelo menos ele me garantiu que isso nunca aconteceu.
O problema maior está em festas e reuniões sociais”. É o que diz Ana Paula Simas mulher do professor de capoeira Beto Simas.
Ela não teme o deslumbramento de uma multidão de mulheres na Avenida, quando o seu marido desfila seminu, mas aquela que tenta atacá-lo discretamente num jantar, quando ele está sobriamente vestido. “Na Avenida, não há o menor problema. Lá é a glória, a consagração. Fora da Avenida é que são elas”, comenta.
Já a estudante de medicina Irina Andrea Afonso Pires, de 23 anos, namorada há oito do jogador bonitão de futebol Rodrigo (ex-Botafogo e atual Atlético Mineiro), diz que nunca foi muito ciumenta, mas, nas festas, principalmente no Carnaval, os dois evitam as pessoas mais exaltadas. Hoje, por exemplo, eles já combinaram discrição mútua no camarote do Sambódromo. “Eu tenho o maior orgulho de apresentar o Rodrigo para minha família e meus amigos. E nem ligo quando, ao fim dos jogos, ele fica cercado de fãs pedindo autógrafos. Mas, no Carnaval, a gente se segura, porque, sabe como é, as pessoas ficam meio doidas”.
A combinação prévia para evitar os exaltados vale para os dois, lembra Rodrigo. “Ela também tem que evitar o assédio de homens exaltados. No Carnaval passado foi assim e não deu confusão.
SEM ESTRESSE – A atriz Julia Lemmertz diz que o seu amor pelo ator Alexandre Borges é tão intenso que ela não consegue vê-lo só como um homem bonito. “Eu o amaria de qualquer jeito. Se ele fosse feio, roxo, amarelo ou verde. O que conta é o que ele é. A beleza é apenas um detalhe, com o qual nunca me preocupei”, diz.
Como o casal é discreto e não costuma freqüentar embalos de sábado à noite, não há muito assédio nem ao marido, nem a Julia. “As pessoas nos respeitam. Nunca houve uma situação desagradável”, diz a atriz.
A mulher do chef Olivier Cozan, Flávia Cozan, também garante que a sua preocupação com a beleza do marido é zero. Ela diz não reparar se as mulheres o acham lindo, porque a beleza não faz parte de seus critérios de admiração.
“Vocês vão dizer que o Olivier é bonito, é? Ai, meu Deus, lá se vão dez anos de trabalho para reduzir o ego do meu marido jogados fora. Não tem problema, vou recomeçar tudo de novo. Eu não ligo a mínima se ele é ou não bonito. A única vantagem é que nossos filhos são bem bonitinhos.”
ATRAÇÃO SAUDÁVEL – Nem toda mulher, portanto, é uma ciumenta desestruturada. A psicanalista Alice Bittencourt diz que há as que se sentem atraídas por homens bonitos, mas não se desqualificam perante as outras mulheres. “Essas mulheres podem até sentir ciúme, mas sabem o quanto valem e não se colocam em posição de inferioridade”, diz a psicanalista.
Esse é o caso da psicóloga Marta Pereira. Ela comenta que a beleza não sustenta uma relação, mas o caráter, o temperamento e a capacidade afetiva do casal. Por isso, faz questão de lembrar ao marido lindo a sorte que ele teve de encontrar uma mulher como ela. “Sempre digo a ele que, além de lindo, ele teve muita sorte de ter me encontrado. Porque homens bonitos há muitos, mas uma mulher como eu, só existe uma”, brinca a psicóloga Marta.