Qual o papel da mulher na família moderna? Apesar de já terem sido bastante exploradas em diversos estudos, as tentativas de resposta e teorias sobre o tema, continuam atuais. Tentando buscar outras nuances para a discussão, a antropóloga, escritora e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, Fátima Quintas, foi a campo para uma pesquisa cujos resultados estão registrados no livro A Mulher e a Família no Final do Século 20.
A publicação, editada pela segunda vez pela editora Massangana, revela algumas variações de um universo que, segundo a autora, já foi bastante abordado, porém ainda está muito longe do esgotamento. O tema central é o papel da mulher na família até o final do ano 2000.
A pesquisa foi realizada por Fátima com a colaboração de uma equipe de sete profissionais, que trabalharam na fase de aplicação de questionários. Para viabilizar a análise, foram feitas 150 entrevistas com famílias divididas em três faixas sócio-econômicas: baixa, média e alta renda.
METODOLOGIA – Segundo a autora, uma das maiores dificuldades do projeto foi decidir qual metodologia seguir. A divisão de famílias em camadas sociais ainda gera controvérsias na Antropologia e foi o ponto mais polêmico do trabalho. “Ninguém sabe exatamente onde acaba o limite de uma e começa o de outra classe. Na realidade, ele é rígido, depende de uma série de variáveis”, explica Fátima.
Entre os critérios escolhidos para essa ‘designação’, estão três pontos que foram interrelacionados: moradia, renda e nível de instrução de cada família. Por fim, a pesquisadora resolveu agrupar as camadas média e alta em um só núcleo, por considerar que a média inspira muitos de seus valores nos da camada mais alta.
No grupo de classe baixa, foram entrevistadas mulheres da favela Rio Benfica, Camelódromo, Centro Comercial de Casa Amarela e Itapissuma. Já para as entrevistas da classe média, a antropóloga recorreu a uma metodologia, segundo ela, tendenciosa, mas possível na Antropologia: seu círculo de amizade.
Entre os aspectos que diferenciam os tipos de família estão o fato de que nas mais pobres, há sempre espaço para agregados e, apesar de ainda haver presença forte do poder patriarcal, muitas mulheres são levadas à condição de chefe da família, devido à grande rotatividade de companheiros.
O cenário da família de classe média alta é onde se observou as mudanças mais significativas nas últimas décadas. Desde a revolução sexual e a inserção feminina no mercado de trabalho. A emancipação trouxe, como conseqüência, a intolerância e o aumento das separações. “A mulher não quer mais ser ‘rainha do lar’. Saiu da sombra e tem mais voz. Mesmo assim, as mudanças continuam ocorrendo. Os próximos 50 anos serão responsáveis pelos ajustes e consolidação dessa ‘nova ordem”, sinaliza.
Serviço
A Mulher e a Família no Final do Século 20, R$ 25. Editora Massangana - 3441.5900 (ramal 246)