Depois de desfilar na Mangueira, prefeito retorna do Rio e reage às declarações do senador Roberto Freire, que o acusou de não dialogar com as esquerdas. Ontem, ele teve um encontro com Jarbas Vasconcelos em plena folia
O prefeito do Recife, João Paulo (PT), disse ontem que a partir de agora irá se dedicar exclusivamente à administração da cidade e não será mais “porta-voz” do PT no debate sucessório. “Quem fala pelo PT agora é Dilson Peixoto e Paulo Santana, que é presidente do partido. Eu sou prefeito do Recife, não sou indicação do PT para as articulações políticas. Eu fiz o que pude até agora para ajudar”, informou.
O recado do prefeito tem endereço certo: o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire. Ao participar do desfile do Galo da Madrugada, no sábado, Freire responsabilizou João Paulo pela dificuldade de diálogo do PT com os demais partidos de oposição e sugeriu que o prefeito assumisse a liderança das negociações. “O PT precisa entender que, em administrando a prefeitura de uma capital como Recife, precisa ter uma liderança forte. Como é que se é o prefeito e não adota a política da abertura e do diálogo”, criticou Freire na ocasião.
João Paulo disse ainda que “é muito fácil encontrar responsáveis pela dificuldade de unidade das oposições”, em mais uma crítica ao presidente do PPS. “Nós só vamos resolver esse problema da unidade se as pessoas ajudarem. Encontrar responsáveis é uma tarefa muito fácil”, completou.
NA FOLIA – O prefeito cumpriu ontem uma maratona carnavalesca. Nem bem desembarcou no Recife – depois de participar no Rio de Janeiro do desfile da escola de samba Mangueira – João Paulo foi conferir o carnaval de Olinda. Retornou ao Recife para um encontro com o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), no final da tarde, e seguiu para os pólos Várzea, Marco Zero e Mangue, na Rua da Moeda.